Colunista Anderson Gregório Joaquim

Exercício Físico e Saúde
Anderson Gregorio Joaquim
- Mestrando em Ciências - FMRP – USP
- Formado em Educação Física e Esportes pela EEFERP - USP
- Possui Licenciatura Plena em Educação Física pela UNAERP

 

A maioria das pessoas não tem acesso a equipamentos sofisticados como analisadores metabólicos, que permitem obter dados “mais precisos” para prescrição de treino aeróbio. Raramente sequer, elas terão um cardiofrequencímetro para monitorar a frequência cardíaca durante o treino.

Inclusive, há muito tempo tem se tentado predizer a Frequência máxima (FCmáx) das pessoas através de fórmulas, porém, muitas vezes não é dito que a FCmáx é relacionada com a quantidade de receptores de adrenalina no coração. Além disso, quaisquer alterações no dia da pessoa, sejam emocionais ou ambientais como a temperatura, irão alterar os valores de frequência cardíaca.

Gunnar Borg anos atrás empenhou-se para criar um instrumento que estimasse o empenho, a falta de ar e a fadiga durante o trabalho físico, ou seja, mensuração subjetiva o esforço e a dor. A partir disso foi proposto uma escala de índice de esforço percebido, a tão famosa escala de Borg.

Hoje falamos percepção subjetiva de esforço (PSE), ou seja, objetivamos saber como o indivíduo está se sentindo perante ao esforço. E Borg com base em seus estudos psicofísicos, deu números e classificação para tais esforços.

Gunnar Borg usou a frequência repouso (~60 bpm) e FCmáx (~200bpm), onde dividindo por 10, construiu a ESCALA ORIGINAL iniciando em 6 (sem esforço) até 20 (máximo esforço). E a literatura além reporta fortes correlações positivas entre PSE, limiar anaeróbio, ponto de compensação respiratória e consumo máximo de oxigênio (variáveis do treino aeróbio), e a PSE é fidedigna na prescrição desses treinos.

Alvarez et al (2016) em pista indoor, prescreveram trote/corrida a mulheres obesas e diabéticas (~45 anos), 3x/semana por 4 meses baseado na PSE. Nos tiros, elas deveriam manter uma PSE de 15-17 (muito intenso ~90-100% da FC de reserva) e recuperavam numa PSE < 9 (muito leve < 70% da FC).

No 1° mês elas realizavam 8 tiros/descansos ativos de ~30/120 seg e progrediram até o 4° mês para 14 tiros/descanso de ~60/96 seg. Isso deu um tempo total de ~66 até 112 min por semana (~22 a 38 min de treino por dia).

Todas mulheres toleraram bem os treinos e ninguém se machucou. Já na 1ª semana devido a episódios de hipoglicemia, 54% delas tiveram que reduzir no dia dos treinos, a dosagem de metformina e glibencamida; e a partir da 11ª semana, tiveram que reduzir todos os dias a medicação.

Ao contrário das sedentárias, as mulheres que treinaram aumentaram o HDL-c e tiveram reduções da glicemia em jejum, hemoglobina glicada, triglicerídeos, circunferência abdominal e -10 min no teste de 2km de caminhada.

Atualmente muitas pessoas treinam nas praças, parques, nos condomínios, etc.; e isso não impede que o profissional realize um trabalho raro, criterioso e eficiente, usando apenas a PSE, lápis, cronômetro e o cérebro, inclusive com pessoas doentes. Esta é a ciência na prática que a população precisa!

 

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