Colunista Anderson Gregório Joaquim

Exercício Físico e Saúde
Anderson Gregorio Joaquim
- Mestrando em Ciências - FMRP – USP
- Formado em Educação Física e Esportes pela EEFERP - USP
- Possui Licenciatura Plena em Educação Física pela UNAERP

 

anderson 961Escolher trabalhar com populações que necessitam de cuidados especiais, é imprescindível que se tenha abordagem transdisciplinar, no sentido de entender o que outras áreas fazem, para ajudar mais as pessoas e não invadir o campo de atuação do outro profissional. 

Alta glicose no sangue por tempo prolongado (Diabetes), acarretará inúmeros problemas para a pessoa. Um dos principais é a glicose se ligar a proteínas no sangue como hemoglobina, se tornando hemoglobina glicada (HbA1c). 

Esta ligação em excesso acarretará em maiores liberações de substâncias inflamatórias (citocinas), como a Interleucina-6 e Fator de Necrose Tumoral–alfa, aumentando as chances de lesão nas artérias que facilitará a formação de placas de gorduras (Aterosclerose). Uma placa dessas pode entupir vasos menores e levar ao infarto do miocárdio e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

A Medicina e a Farmacologia vêm com os medicamentos que atuarão para mais glicose entrar nas células ou menos ser liberada, afim de deixar a glicemia abaixo de 100 mg/dL, ou seja, controlada.  

Incluem aí algumas classes de medicamentos, tais como, os agentes anti-hiperglicemiantes ou hipoglicemiantes, como aqueles que diminuem a produção (metformina), a absorção (arcabose) ou aumentam a utilização de glicose (tiazolidinediona; metformina). Aí vem uma questão: foi dado um fim para esta glicose com esses medicamentos? 

Olha que interessante, a glicose entra para as células e precisa ser metabolizada (oxidada, eliminada). E adivinham... “um fim para glicose” é ela ir para a usina das células, nossas mitocôndrias. Só lá ocorrerá total eliminação, até porque glicose parada na célula, facilmente se transforma em gorduras! 

Daí vem o papel do exercício físico, pois além de facilitar a entrada de glicose para as células (principalmente nos músculos), promove aumento de mitocôndrias. O pesquisador Boulé e colaboradores em (2001), verificaram em uma grande revisão de estudos envolvendo 504 pessoas diabéticas (~55 anos), que pelo menos 3 meses de exercício aeróbio promoveu controle glicêmico (redução de hemoglobina glicada). 

Arora e colaboradores (2009), verificaram que 2 meses de treino de força em homens e mulheres diabéticos tipo 2 (~54 anos), também reduziu hemoglobina glicada, promovendo controle glicêmico e menor risco de doenças cardiovasculares. 

Little e colaboradores (2011), mostraram por biópsia muscular em obesos diabéticos, que o treino intervalado (25 minutos por sessão), aumentou as enzimas do metabolismo anaeróbio e aeróbio, e ainda aumentou em ~369% a expressão do transportador de glicose no músculo (GLUT-4). 

Por isso é necessário ter a cabeça aberta neste mundo. O medicamento virá em 1ª instância para o diabético, no entanto, sua vida será transformada utilizando-se de outras abordagens e hábitos, tal como a prática de exercício físico! Vamos mudar de vida de ser pessoas melhores!

 

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