Colunista Anderson Gregório Joaquim

Exercício Físico e Saúde
Anderson Gregorio Joaquim
- Mestrando em Ciências - FMRP – USP
- Formado em Educação Física e Esportes pela EEFERP - USP
- Possui Licenciatura Plena em Educação Física pela UNAERP

 

Mesmo com câncer de Próstata, exercício físico proporciona uma vida melhor! O mês de novembro é um dia mundial dedicado ao combate de um tipo que câncer que mais afetam os homens, o câncer de próstata. Dedicar um mês inteiro a fim de conscientizar todos(as) para cuidarem de um câncer, é sinal de grande preocupação. Para os homens, dados recentes mostram que a cada 5 diagnósticos, 1 é de câncer de próstata. Este junto com câncer de pulmão e colorretal, levam a ~46% de mortalidade. 

A boa notícia é que ultimamente, a incidência de câncer de próstata tem reduzido ~10% e a mortalidade de 1993 a 2014, reduziu ~51%, sendo boa parte devido ao menor uso de tabaco, diagnóstico precoce pelos exames PSA (prostate-specific antigen testing), toque retal e avanços nos tratamentos. 

O principal tratamento desses homens é a terapia de deprivação androgênica, na qual reduzem principalmente as ações dos hormônios testosterona e diidrotestoterona (DHT). Porém, tem se reportado efeitos colaterais, tais como: perda óssea, perda de peso com aumento de gordura, pior controle glicêmico, perda de força e massa muscular, tudo isso, prejudicando o dia a dia deles. 

O tratamento reduz o crescimento do tumor cancerígeno, mas devido aos efeitos colaterais do próprio tratamento convencional, fica muito claro a importância do exercício para atenuar esses efeitos indesejáveis, proporcionando mais vida a eles. 

O risco deste câncer aumenta nos homens a partir dos 45 anos. E já foi reportado no estudo de Ortega et al. (2012), o qual acompanharam por 24 anos 1.142.599 adolescentes suecos (16-19 anos), que homens mais fortes tem menor mortalidade prematura por qualquer causa, inclusive por câncer. 

Bourke et al. (2016) realizaram uma metanálise envolvendo 1.574 homens com câncer de próstata de estágio 1 ao 4. Todos estudos incluídos eram randomizados, controlados e a aplicação dos exercícios aeróbios ou de força duraram de 8 semanas a 1 ano. Quem treinou não teve piora na progressão do câncer e fadiga, melhorou a força, aptidão aeróbia e a qualidade de vida. 

Em outra metanálise mais recente, Yunfeng et al. (2017) identificaram 1.135 homens com câncer de próstata em terapia, que realizaram de 6 semanas a 2 anos, exercício aeróbio, força ou combinado. Agora foi demonstrado que 6 meses ou mais de ambos os treinamentos, propiciou maiores melhoras de força no leg e chest press (supino), aptidão aeróbia, colesterol total e função sexual. 

É necessário aprimoramento constante a fim de que profissionais lidem e extraia o melhor do exercício para cuidar das pessoas. Qualquer um de nós poderá desenvolver câncer, mas se estivermos preparados com mais informações sólidas pautadas em ciência, mais vidas poderão ser ajudadas!

 

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