O Instituto Akatu, uma ONG que faz um trabalho muito legal com foco no consumo consciente, lançou nesta semana a campanha #eracilada, com o objetivo de chamar a atenção para a importância de refletir antes das compras, evitando os impactos negativos desnecessários ao meio ambiente, à sociedade e ao nosso próprio bolso. E foi com muita satisfação que recebi o convite para ser porta-voz dessa campanha, cujo conceito compartilho aqui com vocês

claudia 960No nosso dia a dia, somos expostos a muitas tentações de consumo. Tomados pela emoção (não à toa!) ou até mesmo por distração, acabamos por fazer compras por impulso, adquirindo algo que não precisamos. O resultado disso, muitas vezes, é arrependimento e até culpa, além de causar um impacto negativo no meio ambiente e {algumas vezes} na nossa conta bancária.

E não são poucos que caem nesta cilada. Uma pesquisa divulgada em maio pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revelou que 37% dos consumidores admitem ter comprado algo que não precisavam nos últimos 30 dias.

Faça o exercício de imaginar a história de produção de um produto, considerando os recursos naturais e humanos utilizados para que ele chegasse até você. Por exemplo, para produzir uma calça jeans são necessários em média 10.850 litros de água, quantidade suficiente para suprir o consumo residencial (lavar roupas, tomar banho, beber, cozinhar etc.) de uma pessoa por mais de três meses! Além disso, de acordo com uma análise de ciclo de vida realizada por um fabricante global de roupas, ao longo de sua vida útil, a produção e manutenção dessa calça geram o equivalente a 33,4 kg de gás carbônico, um dos gases causadores das mudanças climáticas. Considerando esse valor, a produção e manutenção de 23 calças jeans causam a emissão de gás carbônico equivalente a uma viagem de quase 4 mil quilômetros de carro, como de Porto Alegre até Belém do Pará.

Por isso, o Instituto Akatu destaca alguns cuidados que podemos tomar para evitar cair em “armadilhas” que nos levam a gastos desnecessários e aos sentimentos negativos decorrentes disso.

ROUPAS, CALÇADOS E ACESSÓRIOS

Quem nunca comprou uma roupa ou sapato que parecia lindo, mas se revelou desconfortável e acabou no fundo do armário? Estes são os itens mais comprados por impulso, citados por 14% dos entrevistados, segundo pesquisa do SPC-Brasil e CNDL. Mas o impacto da produção desse tipo de artigo não é pouco: as emissões de carbono de uma única camiseta são equivalentes ao que seria emitido para se locomover de metrô em São Paulo por quase dois meses, segundo uma análise de ciclo de vida feita pela FGV e ONU Meio Ambiente.

Com o avanço da moda rápida (ou fast fashion), no Brasil e no mundo, as pessoas têm comprado muito mais: a consultoria McKinsey estima que, para o período de 2000 a 2014, o número de peças compradas anualmente aumentou 60% por pessoa, enquanto o tempo que ficam com elas caiu pela metade. Muitas dessas roupas, sapatos ou acessórios são comprados por impulso, ainda mais quando são “baratinhas”.

O primeiro passo para evitar compras de roupas e acessórios por impulso é organizar e conhecer bem o seu guarda-roupa. Isso irá ajudá-lo a saber se uma peça nova é realmente necessária e se combina com outros itens que você já tem.

Examine bem a qualidade das peças antes da compra. Não é legal, nem pra você, nem para o meio ambiente, gastar dinheiro em uma roupa ou acessório que estraga em pouco tempo de uso. Considere também aspectos como a versatilidade e o seu estilo de se vestir.

Para eventos especiais, em que a roupa será usada apenas uma vez, considere alugar uma peça ou tomá-la emprestada. Assim, você não gasta recursos à toa e não vai se sentir mal quando vir a peça de pouco uso parada, ocupando espaço no seu armário.

Atenção especial às compras online: nem sempre é possível examinar detalhadamente a peça pelo site e as numerações podem variar. Por isso, o risco de arrependimento é maior. Dê preferência a lojas online que fazem a primeira troca de graça e a marcas que você já conhece. Além disso, não deixe de conferir as avaliações do produto feitas por outros consumidores.

Não desconte suas frustrações na loja. A baixa autoestima, ansiedade ou tristeza podem acabar em compras desnecessárias. O perigo de querer afogar as mágoas nas lojas pode ter um efeito rebote perverso, já que a culpa pode aparecer com mais força depois.

Veja bem: o Instituto Akatu {e eu me incluo} não está dizendo para você deixar de comprar. Mas sim, deixar de desperdiçar. Eu já disse em outro texto que o que consumimos é importante para impulsionar a indústria, o comércio e a geração de emprego, mas é preciso ter responsabilidade com a forma como estamos consumindo. Eu também amo uma roupa nova, lógico. Mas desde que comecei a trabalhar com Consultoria de Estilo aprendi a aproveitar toda a potencialidade do meu guarda-roupa e a só comprar o que realmente é necessário para dar aquela renovada e atualizada no look.

Então te convido a fazer uma reflexão sobre o assunto e a pensar: qual foi a última compra que você fez por impulso e caiu em uma cilada???

Bom final de semana!

 

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