Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Já expressei o meu desejo em ter nascido em outra época; mais precisamente naquela em que as pessoas, especialmente os jovens, eram totalmente diferentes de hoje; bem como os valores morais e sociais.

Estou em contato direto com mais de quatrocentos adolescentes por dia, e percebo que os mesmos não conseguem estabelecer uma diferença entre liberdade e limites; não percebem que são responsáveis pelas ações e que os direitos devem se relacionar com os deveres; visto que a garantia de proteção aos adolescentes sempre é mais explícita do que as obrigações que eles precisam ter e aplicar.

Entendo que a fase jovial é complexa e cheia de desafios, emoções e repleta de contrariedade, mas não podemos esquecer que uma sociedade é formada por indivíduos que se relacionam entre si, convivem em um mesmo meio e, consequentemente, necessitam de ajustes para um bom convívio. Essa interferência do meio social deve partir das famílias, elemento crucial para a formação social dos nossos adolescentes.

Os jovens de antigamente partiam do princípio familiar, em que o comportamento era reflexo de uma educação exemplar recebida em casa, então, com essa base sólida, o respeito e cordialidade estavam sempre presentes. Com o passar do tempo e as estruturas de formação danificadas, o jovem se viu perdido em meio às problemáticas de um mundo cada vez mais influenciável e demolidor.

Quando falo em influências, me refiro à mídia e também à tecnologia; a mentalidade enfraquecida e corrompida permitiu que se criassem modelos inadequados de condutas, tais como o uso de drogas, envolvimentos com a criminalidade, enfim, paradigmas que afundaram aqueles que antes recitavam em sarais literários e frequentavam as missas aos domingos.

Não estou generalizando, pois ainda vejo a participação ativa e positiva de diversos jovens que buscam uma oportunidade de crescimento pessoal, espiritual e profissional; mas a questão é que a maioria perdeu a perspectiva de uma vida de sucesso e plenamente independente. Independência não é fazer o que quer, mas sim assumir as responsabilidades, ser um interlocutor entre o “eu” e o “eu mesmo”.

Nossos jovens não têm concentração, desvalorizam as instituições escolares, consideram que a vida adulta está tão distante que não conseguem projetar um futuro; vivem como se o hoje fosse eterno e que o amanhã não chegasse. Não se preocupam com a própria saúde, não têm o hábito da leitura, não respeitam as regras e tão pouco os mais experientes, não almejam cultura, não expressam opiniões, não defendem um ponto de vista; não participam da sociedade. Lembrem-se, não estou generalizando e sim, expressando a maioria.

Ainda tenho a esperança de uma grande transformação dos nossos futuros governantes, médicos, engenheiros e tantas outras profissões, se tornarem ativamente dispostos a fazer parte da sociedade em que vivem, ou até inventarem uma máquina do tempo que eu possa retornar para aquela época de ouro da juventude.

 

Capa da última edição

capa IN

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