Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Ser professor está cada vez mais difícil, não só pelo baixo salário e constante desvalorização, mas as más condições de trabalho pesam bem mais quando paramos para analisar e avaliar a profissão. Questões que envolvem transporte, alimentação, a precariedade de recursos pedagógicos, entre outros; desgastes físicos que interferem diretamente no psicológico dos mágicos do conhecimento.

Sabe-se que desde 2009 a Lei Federal número 11.947 determina que professores e funcionários de escolas municipais e estaduais não consumam a merenda escolar. Porém deve-se atentar para o bom senso quando se trata principalmente de escolas localizadas na zona rural; tudo é mais complicado. Por exemplo, um professor que entra às 11 horas da manhã e sai somente às 23 horas deveria levar no mínimo duas marmitas, mais lanches, fora a centena de preocupações referentes às provas, relatórios, diários; isso é massacrar um profissional que forma cidadãos.

É tão humilhante o fato do docente ou profissional escolar ter um prato de comida recusado, ser proibido de ingerir alimentos que não interferirão na economia de gastos. É um absurdo que essa seja uma discussão enviada em ofícios e pautada em reuniões, tão desnecessária se comparada às problemáticas que a Educação enfrenta.

Sem poder se alimentar na escola, o professor, que já se sente pisoteado, pressionado, lesionado, mal tratado, perde totalmente o entusiasmo e esperança de transformar e melhorar o atual cenário educacional; é o ápice da desvalorização dessa profissão que deveria ter tudo em seu favor, desde um simples prato de comida até uma evolução funcional coerente e salário digno.

Aos que fazem a lei ser aplicada, falta uma conscientização de que adaptações são necessárias, que ações em prol a profissionais tão importantes devem ser criadas. Não estamos “brigando” por comida, apenas exigindo o mínimo de consideração e respeito que merecemos. Preocupem-se com evasão escolar, com a violência e bullying, aumento dos rendimentos em avaliações externas; organizem modelos inovadores de métodos de ensino, intercedam ativamente e busquem investimentos na área; esses deveriam ser os reais tópicos tratados nas mesas redondas.

Há professores que acordam às 5 horas da manhã para estar em sala de aula no horário de início, enfrentam as filas de ônibus lotados e viajam 45 quilômetros em pé. Há professores que entre um turno e outro, entre uma escola e outra, mal têm tempo de se deslocar, mas tudo isso é parte dessa profissão sofrida e que exige sacrifício. Professor já está acostumado a viver de pastel de vento, pago com seu vale-pastel e torcendo por um lugar no céu.

 

Capa da última edição

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