Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Sempre admirei o modo simples do meu pai, seja pela maneira de falar ou mesmo de enxergar a vida. De origem muito humilde, foi forçado a deixar os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas da casa; várias vezes ele me disse que não teve infância, que os únicos brinquedos foram uma enxada e a busca por uma vida melhor no sertão pobre de São Miguel Arcanjo.

Quando aprendeu a dirigir, começou a trabalhar como caminhoneiro e não parou até hoje. Já foi assaltado, mantido em cativeiro com uma arma apontada na cabeça, quase não o conheci; presenciou e sofreu acidentes, escapou da morte mais do que um gato pardo com sete vidas. Embora nunca tenha dito isso diretamente a ele, tenho orgulho desse homem que me criou e ensinou a ser o que sou hoje.

Lembro-me das viagens de caminhão que fazíamos; ele trabalhando, eu me divertindo. Eram fascinantes aqueles dias na boleia, vendo e conversando sobre as placas de trânsito, as brincadeiras e piadas, a tão esperada hora da parada para comer um espetinho e beber caldo de cana. Sou tão sentimental que não deveria escrever textos saudosistas, mas meu coração guia-me na escolha de cada tema para essa coluna.

Nesse domingo (13) comemoraremos o Dia dos Pais, que teve origem nos Estados Unidos, mas que só foi celebrado pela primeira vez em 1953 no Brasil, no dia 16 de agosto. A data foi pensada por um publicitário chamado Sylvio Bhering, na época diretor do jornal O Globo e da rádio homônima. O objetivo de Bhering era tanto social quanto comercial. A tentativa inicial foi associar a festividade ao dia de São Joaquim, pai de Maria, mãe de Jesus Cristo, que é comemorado em 16 de agosto, no calendário litúrgico da Igreja Católica, já que a população brasileira era predominantemente constituída de católicos. No entanto, nos anos seguintes, a data também foi deslocada para um domingo, o segundo domingo do mês de agosto – e assim permanece até hoje.

Assim como meu pai, milhares de homens são exemplos para seus filhos, fazem com que sintam orgulho e espelham a figura masculina de seriedade, força, mas acima de tudo, carinho paternal. Em vida ou memória, o pai é sempre aquele ser que segura e transmite proteção, seja da forma que for. Enxergamo-los com armaduras, espadas, matadores de dragões e corações repletos de amor.

Por falta de palavras, roubadas pela emoção, finalizo esse texto com a canção de Fábio Júnior: “Pai, pode ser que daqui a algum tempo haja tempo pra gente ser mais, muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez. Perdoa-me essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança que um dia morrendo de medo nos teus braços, você fez segredo nos teus passos. Pai, você foi meu herói, meu bandido; hoje é muito mais que um amigo”.

 

Capa da última edição

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