Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Assim como as estações do ano se renovam a cada período, o ser humano também tem o poder de se transformar, recomeçar do mesmo ponto e adaptar-se em constante evolução, após uma longa pausa.

O inverno esfria e até mesmo congela nossos pensamentos, é capaz de acomodar nossos objetivos, fazendo com que nossas ideias sejam adormecidas, a capacidade reduzida de criar, imaginar e exercer funções que nos foram dadas. Às vezes somos forçados a entrar nessa estação antissentimentalista; uma pré-depressão ideológica; outras vezes escolhemos nos abrigar, proteger e simplesmente hibernar nossos sentimentos, visando um retorno centrado e cheio de disposição.

Quando a primavera chega, as ideias começam a florir, o ar fresco volta aos pulmões e nos trazem inspirações, novos projetos, perspectivas reiniciadas que permitirão a melhoria interna e externa. A vida é uma grande escola em que aprendemos todos os dias o quanto somos pequenos e indefesos, nada é como queremos, somos meros fantoches diante dos segredos e mistérios que é viver.

Veja o exemplo de uma mulher inverno-primavera: Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon, Frida Kahlo, como ficou conhecida, teve uma vida de superações e sofrimentos que refletidos em sua obra a tornaram uma das maiores pintoras do século. Frida deixou registradas suas dores, frustrações pela infidelidade do marido, por quem era extremamente apaixonada, pela impossibilidade de ter filhos, doença e acidentes que ela mesma afirmou: “E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo”. Ela se agarrou a vida, respirou e retornava com sucesso, pois como dizia: “A tragédia é o mais ridículo que há e nada vale mais do que a risada”.

É uma sábia lição ver que a dor e sofrimento de uma pessoa foram os motivos para colorir o mundo, dar felicidade aos olhos daqueles que muitas vezes estão deprimidos por coisas banais, acontecimentos simples e passageiros. A tristeza é a grande vilã de uma história em que o final só depende do próprio autor, da sua capacidade de apagar e reescrever, de desligar e mais tarde retornar às palavras. Tudo isso é uma metáfora para atingir a ideia de retorno e renovação.

Recomeçar é tropeçar e levantar; sair do comodismo, fugir da rotina, abrir as janelas e encarar o mundo. É assumir mudanças, revisar as ações passadas e engavetá-las, romper paradigmas, ultrapassar obstáculos, e ainda assim, ser forte e manter-se em pé; porém requer coragem, aprendizagem, criticidade e maturidade. Mas no fim, sempre há um recomeço.

 

Capa da última edição

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