Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Há exatos cento e noventa e cincos anos, nas margens do Rio Ipiranga, nosso libertador Dom Pedro proclamava a independência do Brasil; um ato de coragem que foi o início de grandes conquistas em busca da democracia, embora nem se imaginasse a criação e aplicação de tal termo. Tornamo-nos independentes de Portugal, mas ainda temos o espírito de colonizados em outros fatores.

Somos colonizados pelos estereótipos, aprisionados por paradigmas sociais; a mídia dita e somos obrigados a seguir os padrões de uma sociedade hipócrita em que as diferenças não são aceitas, a diversidade é um mero vocábulo incorporado em discursos que visam popularidade; é moda falar, mas não respeitar. Ficamos calados diante das injustiças, não temos o mesmo tom de voz que Dom Pedro; quem sabe um dia ele nos inspira e fazemos que nossos anseios sejam ouvidos.

A esperança por dias melhores também nos coloniza; mesmo com tantas marés contrárias, o brasileiro ainda consegue ser otimista em relação à política, Educação, saúde e outras tantas rachaduras que nem Dom Pedro poderia evitar. Sonhamos com um país de qualidade que não constrói uma base sólida investindo na Educação, pelo contrário, enxerga o setor como um enfeite velho.             

Enquanto não valorizarmos os profissionais e desenvolvermos modelos educacionais concretos, o Brasil jamais será um país totalmente liberto.

A admiração do brasileiro pela cultura estrangeira ilustra que as nossas algemas invisíveis não foram arrebentas, nossa tendência é valorizar mais o exterior do que o interior. Trazemos produtos importados, comemos enlatados americanos, definimos a boa etiqueta como europeia; viajamos para culturas diferentes, sem ao menos conhecer a nossa própria história; nossa música não conjuga os verbos originários do latim, optamos por pagar em dólar e não sabemos lidar com os turistas que nos sustentam.

Nós, brasileiros, precisamos recuperar o encanto pelas belezas da terra materna, necessitamos que Gonçalves Dias seja reencarnado em cada um de nós, e possamos parafrasear a “Canção do Exílio” todos os dias. Com o desejo de Vinicius de Moraes: “Vontade de beijar os olhos de minha pátria, de niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos. Vontade de mudar as cores do vestido auriverde! Tão feias de minha pátria, de minha pátria sem sapatos e sem meias, pátria minha tão pobrinha!”, não desistamos de nos tornar independentes por completo.

Nenhum povo é independente integralmente se não defender a sua origem, cultura, riquezas e procurar corrigir erros do passado. Não é fácil achar uma solução para o atual cenário brasileiro, mas como disse no terceiro parágrafo: “A esperança por dias melhores também nos coloniza”.

 

Capa da última edição

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