Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Desde que o homem começou a celebrar sua existência, várias festividades populares são cercadas pela valorização dos opostos que regem o mundo, como o Carnaval (que antecede toda a resignação da Quaresma) e o Halloween (um dia antes da “Festa de todos os Santos”). Essa última, embora não tenhamos como nacionalista, é repleta de encanto, magia, mistérios e lendas.

Pelo fato do 1° de novembro estar cercado de um valor sagrado e extremamente positivo, os celtas, antigo povo que habitava as Ilhas Britânicas, acreditavam que o mundo seria ameaçado na véspera do evento pela ação de terríveis demônios e fantasmas. Dessa forma, o “Halloween” nasceu como uma preocupação simbólica onde a festa, cercada por figuras estranhas e bizarras, teria o objetivo de afastar a influência dos maus espíritos que ameaçariam suas colheitas.

Fico perplexo com a ignorância de algumas pessoas que criaram um pré-conceito dessa festa tão cultural quanto o nosso folclore, mais ainda pelos que condenam as crianças pedindo doces ou travessuras, mas aceitam a nudez de uma passista sendo exibida aos olhos das mesmas crianças do doce. Falta informação a essas criaturas pobres de cultura, que têm a mente tão fechada quanto um enlatado mexicano exibido nas redes de televisão.

Organizo as festas de Halloween nas escolas que leciono, pois é uma forma de interação e aceitação a outros povos; contextualizar construções culturais é estabelecer a igualdade na diversidade. Respeito os alunos que, por influência do ambiente familiar, negam em participar dessa data, pois todos têm o livre arbítrio de expressar opiniões, embora fique estarrecido com isso.

Voltando à história; ao chegarem à América do Norte, os irlandeses trouxeram o Halloween para as Américas. Os disfarces e máscaras, tão usadas pelos participantes, seriam uma forma de evitar que fossem reconhecidos pelos espíritos que vagam neste dia. A celebração do Halloween remete a uma série de antigos valores da cultura bárbaro-cristã que se forma na Europa Medieval. No jogo de oposições simbólicas, mais do que o valor de um simples embate, o homem acaba por visualizar a alternância e a transformação enquanto elementos centrais da vida.

Por outro lado, os falsos nacionalistas defendem a valorização da própria cultura, afirmam que trazer o Halloween para o Brasil é negar a rica história verde e amarela, afinal, por que incorporar algo estrangeiro em território brasileiro?! Estão corretos, já que não usamos as roupas de marcas estrangeiras, não comemos os fast foods americanos, tão pouco assistimos aos filmes em outra língua. Ironia é o que aprendemos desde criança.

Happy Halloween!

 

Capa da última edição

capa IN

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