Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

Para mim o verdadeiro significado do “Dia da Consciência Negra”, que será celebrado na segunda-feira (20), é uma afirmação de que as raízes do preconceito e da discriminação estão na imposição duradoura de uma cultura excludente e intolerante. Lembra também o triste dia 20 de novembro de 1695, quando o líder Francisco Zumbi, do Quilombo dos Palmares, herói e um dos principais símbolos da resistência negra à escravidão foi assassinado.

Trata-se de uma comemoração de grande valor reflexivo sobre a atual realidade brasileira, afinal, em nosso país persiste um quadro de hipocrisia racial; apesar da constante negação da prática de atos preconceituosos, eles existem nas mais variadas manifestações e setores sociais, mesmo sendo classificados como crimes inafiançáveis. Constata-se assim que, apesar de alguns progressos, a injustiça ainda prevalece com sérios prejuízos aos negros.

Evidencia-se a cada dia que promover a igualdade racial é de extrema importância ao desenvolvimento social e econômico de um país. É preciso combater fortemente todas as formas de racismo e exclusão social. O “Dia da Consciência Negra” é uma oportunidade para refletirmos que todos têm direito à vida, à liberdade e à felicidade e que tais atributos independem das aparências, credos e idiomas.

Embora tudo isso pareça tão lindo, é um tanto incoerente dedicar apenas um dia a essa questão social de valorização humana, e deixar os demais trezentos e sessenta quatro dias à mercê da injustiça e desrespeito ao próximo apenas pela cor.

Nosso município, embora não tenha um feriado oficial dedicado à data, fato incompreensível, afinal o Quilombo do Jaó é considerado um dos quilombos mais antigos do país; foi reconhecido há mais de dez anos e mantém as tradições dos antepassados. No total são mais de sessenta famílias descendentes de escravos que vivem em uma área de sessenta e oito alqueires. Os moradores da comunidade vivem da agricultura e tiram da terra o próprio sustento. Ao todo, são mais de quarenta hortas espalhadas nas diferentes famílias do quilombo. O cultivo é passado de geração em geração, e segundo os moradores, é uma forma de ensinar a todos, desde as crianças até os jovens; é uma troca de experiências, pois quando estiverem cansados, os mais novos continuarão.

Acho que devíamos valorizar verdadeiramente esse povo tão rico em cultura e tão resistente, dignos de todo destaque e veneração. São eles que contribuíram para a nossa sociedade miscigenada, para a diversidade que transformou o cenário da população brasileira. Temos um pedaço desse tesouro tão próximo de nós e deixamos esquecido; seja qual for o motivo, acho que a nossa consciência não deve estar tão tranquila assim como parece.

 

Capa da última edição

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