Fabiano Santos

Manuscritos de Ideias

Fabiano Santos
Nascido em Itapeva/SP, Fabiano Santos é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira. Atua como professor efetivo nas redes Municipal e Estadual. Autor do livro de poesias, “Amoresias”, adora escrever sobre temas atuais da sociedade.

A tristeza de perder um ente querido é sempre devastadora para qualquer pessoa ou família, afinal, a morte é uma despedida sem retorno. Relembrar esses viajantes da eternidade é também um momento de reflexão das nossas práticas humanas; somos tão imperfeitos a ponto de não valorizar o próximo em vida.

Apesar da importância do feriado do “dia dos finados”, muitas pessoas deixam para visitar e sentir saudade apenas depois de já terem seus familiares falecidos; não se ocupam em fazer isso enquanto ainda têm seus amados por perto, respirando e podendo sentir o calor aconchegante de um abraço.

Não tenho muita experiência em relacionamento com a morte, são poucos os falecidos em minha família; perder os avós paternos foi uma dura realidade de que não somos eternos, de que somos meros fantoches do espetáculo intitulado “vida”. Lembro-me que essas duas mortes foram inesperadas, chegaram durante a madrugada e se instalaram sem convite. Eles já tinham idade avançada e sofriam de vários problemas de saúde, mesmo assim, é difícil aceitar a ordem natural.

Não sei tratar a morte como um assunto normal, tão pouco natural, destinada a todos os seres humanos. É uma questão emocional, e talvez até espiritual; já me disseram que eu deveria trabalhar mais nesse ponto. É tão injusto deixar os familiares, findar uma história de lutas e conquistas, ser engolido pela terra, finalizar uma frase com o ponto final e sem um parágrafo seguinte.

No decorrer da história a morte sempre foi tratada de diferentes maneiras por diversos povos. Na antiga Mesopotâmia, era um limite entre vivos e mortos, todos os pertences do falecido deveriam ser enterrados juntos ao corpo; para a sociedade Hindu, a morte era interpretada com a via de acesso ao absoluto, ao eterno e à paz originária. Cada um a define como quiser, mas todos nós sentimos a mesma tristeza. Considero uma injustiça tudo aquilo que não deveria acontecer sem aviso prévio, sem um preparo psicológico.

Não tenho o hábito de ir ao cemitério, não me sinto confortável com aquele deserto de sonhos interrompidos, um labirinto de mármore envelhecido pelas lembranças; tudo isso é tão sufocante. Sei que a maioria das pessoas não celebram a morte nesse dia, e sim a memória de seus entes através da morada simbólica que é o túmulo. Então, aproveitemos o convívio diário da face a face, do toque, do agrado enquanto podemos, pois, um dia tudo será sepultado.

 

Capa da última edição

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