Luiz Eduardo Galvão de Morais

Pacato Cidadão

Luiz Eduardo Galvão de Morais

dugalvaomo@gmail.com

As Zikas do Brasil

Os tempos são difíceis aqui na Terra de Santa Cruz. Como jamais imaginaria Pero Vaz Caminha, esse local um dia seria infestado por mosquitos mortais e pragas, se é que podemos chamar assim, de forma tão educada, o atual grupo político que comanda nosso Brasil, concentrado principalmente no Governo Federal. O escrivão da armada portuguesa ficaria horrorizado se pudesse viajar ao futuro, mais precisamente para os dias de hoje, e verificasse no que “isso aqui iria dar”.

Vivemos um momento de instabilidade política e financeira em nosso país. E o pior de tudo é que ainda temos que “dar conta” de cuidar de uma situação de calamidade pública, no que diz respeito à saúde. Cabe também dizer, que o povo brasileiro (eu, você, todos nós) tem que registrar mea-culpa em relação a tudo isso que está acontecendo. Sim, porque os políticos que estão lá, foi a maioria que elegeu. E se estamos passando por esse problema sério de saúde pública em relação a esse “mosquitinho mequetrefe”, parte da culpa também é nossa, porque não deveríamos esperar os agentes de saúde entrarem em nossas casas para tomarmos as devidas atitudes de controle e prevenção que já são extremamente divulgadas fazem décadas; tínhamos que ter mais “vergonha na cara” e cuidar com mais disciplina do assunto.

Quando eu era criança, meus pais, quando podiam, me davam uma nota de cruzeiro (ou cruzado, não me recordo) para comprar um gibi, um bolachão ou uma pipoquinha doce (que vinha com brinquedinho dentro do pacote rosa) numa mercearia perto de casa. Me lembro bem que no outro dia eu ia comprar o mesmo doce e ele já estava com outro preço, maior, é claro. Era a tal da inflação galopante, que estava destruindo a economia do Brasil, nos anos 80. Se você fosse ao mercado naquela época, constataria que haviam funcionários responsáveis só por remarcar os preços dos produtos; às vezes, faziam isso até duas ou três vezes ao dia. Eles ficavam dando tiros de etiquetas nos produtos o dia todo. Alguns anos depois, a situação melhorou e a economia ficou mais estável. O brasileiro começou a ver uma luz no fim do túnel. Até o início da década de 2000, mais ou menos, nosso país “andava bem das pernas”. Mas daí começaram a surgir os casos de corrupção, com envolvimento de muita gente (gente???) que deveria estar fazendo o melhor pelo povo. Então, o flashback dos anos 80 começou a “buzinar, pedindo passagem”. O fato é que a cada nascer do sol aparecem mais e mais surpresinhas desagradáveis e o incrível é que nomes são claramente citados em escutas telefônicas, em relatórios, em documentos e essas provas são refutadas sem vergonha nenhuma pelos personagens. Há até pessoa notória que diga que não existe alguém mais honesto que ela nesse país. Como eu já citei no parágrafo anterior, temos “culpa nesse cartório”, porque a maioria de nós foi quem colocou essa corja no poder. Essas pessoas não se proliferam em água parada, mas onde tiver $$ “dando sopa”, eles vão se estabelecer.

O povo brasileiro também está muito preocupado com as doenças que o mosquito do Aedes Aegypti está transmitindo, que estão deixando todos em alerta. E não é por acaso. Como deixamos chegar nesse ponto, de sermos reféns e de termos medo de um mosquito? Culpa das políticas de prevenção nos programas de saúde pública dos governos federal, estadual e municipal. Porém, grande parte da culpa é nossa. Não custa nada cuidar de nossa casa. É simples: é só não deixar água parada em local algum. E se houver muitos casos de mosquitos na sua residência ou nos arredores dela, denunciar à prefeitura, para que seja efetuada uma varredura na área com o intuito de descobrir onde está o foco. Se não resolver, se ninguém aparecer para “dar uma olhada”, entre em contato com todas as mídias de comunicação para denunciar o descaso, porque é direito do cidadão solicitar apoio e tê-lo, principalmente na situação que estamos.

Pois é, 2016 está no seu primeiro trimestre e já nos preocupamos com o que o nosso salário poderá comprar e se um pontinho vermelho na nossa perna pode significar que estamos com uma doença grave. Como uma piadinha que circula na internet diz, não sabemos o que é pior: se são a Dengue, a Chikungunya e a Zika ou o Michel Denguer, o Eduardo Chikuncunha ou a Zika Roussef. É rir para não chorar.


 

Luiz Eduardo Galvão de Morais Paixão
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