Luiz Eduardo Galvão de Morais

Pacato Cidadão

Luiz Eduardo Galvão de Morais

dugalvaomo@gmail.com

Por debaixo do pano

O povo brasileiro já estava alvoroçado. As classes sociais e trabalhadoras imaginavam que era questão de tempo para que o que já estava difícil acabasse por tornar-se ainda pior. Tudo isso porque havia um monstro chamado CPMF que voltava a assombrar todos. “Será que vamos dar um passo para trás novamente?”: é a pergunta que todo cidadão nascido nesse país se fazia.
A tal da Contribuição “PROVISÓRIA” sobre Movimentações Financeiras (CPMF) é um tributo (mais um!!!) que esteve maltratando os brasileiros entre 1997 e 2007. Pois é, só no Brasil alguma coisa é considerada provisória depois de vigorar por 10 anos. Foi implantado no Governo do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso (um dos poucos erros que este excelente político cometeu, na minha opinião). Sua incidência era sobre qualquer movimentação de débito em contas existentes em instituições financeiras e sobre transações gerais e formais na economia. Por esse motivo, nesse período, muitas negociações (vendas e compras e produtos, imóveis, et cetera) foram realizadas em “dinheiro vivo”, visto que assim não havia como o governo monitorar a transação e por fim, esta ficava “isenta” da contribuição, que oscilou entre 0,30% e 0,38% no período de vigência.
Em 2007, o Senado teve um lapso de bom senso e rejeitou o pedido de renovação do tributo pelo Governo Lula (que com certeza gostava da porcentagem que abocanhava das transações). Este tentou de várias maneiras, inclusive com sugestão de redução da alíquota para 0,25% com destinação para a área da Saúde, a prorrogação da CPMF. Bem o “jeitão do PT do mal” (porque também há o PT do bem) de administrar mesmo...
Já no ano corrente, o Governo Dilma tentou “ressuscitar o defunto mal quisto”, mas ao enviar a proposta orçamentária no último dia 31, retirou da pauta esse ato de loucura. Novamente com a desculpa de que os valores arrecadados pela alíquota de sobre transações financeiras seriam aplicados na “saúde pública”, a patotinha queria trazer de volta a CPMF. A atual Presidente da República só desistiu de colocar a reimplantação do tributo na proposta orçamentária porque simplesmente a intenção era que o assunto passasse desapercebido pelos brasileiros e que a repercussão negativa não tomasse as proporções que tomou. Eu no lugar dela, teria desistido também. Afinal, um governo enfraquecido, com uma equipe de staff toda desorientada, envolvido em escândalos e mais escândalos, sofrendo ameaça de impeachment, não pode se dar ao luxo de praticar um remake que já judiou tanto do povo brasileiro. Seria um “tiro no pé”. Porém, todos nós sabemos que não foi por “pensar em nós” que a Dama Vermelha desistiu da ideia, mas sim por ter que cuidar da imagem de seu partido e de sua “reputação” (ela existe???).
Enfim, o mais do mesmo. Eu sei, tu sabes, ele sabe, nós sabemos, vós sabeis, eles sabem: essa turma só quer saber de uma coisa: mamar e mamar. Se for preciso “fazer as coisas por debaixo do pano”, eles o farão. A não ser que a pressão seja grande, como foi nesse caso da CPMF.

contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Capa da última edição

capa IN

Curta-nos no Facebook