Luiz Eduardo Galvão de Morais

Pacato Cidadão

Luiz Eduardo Galvão de Morais

dugalvaomo@gmail.com

Boas intenções

Agora que o goveno Dilma já está minguando e as investigações da Polícia Federal (PF) tendem a chegar cada vez mais perto dos mentores dos casos de corrupção que todos nós estamos carecas de saber, e com isso, pelo menos por enquanto, o grupo político da situação está queimado perante os olhares da maioria dos eleitores, o espaço que será desocupado pelo mesmo já está sendo motivo de negociações para a composição de um novo governo. O PMDB, que tem “o queijo e a faca nas mãos”, pois possui nada mais, nada menos que o Vice-presidente da República, o Presidente da Câmara dos Deputados e o Presidente do Senado, ou seja, a linha sucessória completa caso a Presidente atual seja impedida de continuar seu governo, já está programando mudanças nos ministérios, na política econômica e nas parcerias políticas para que consiga atuar de maneira mais ativa e transparente do que Dilma e o PT estão atuando. Todos sabemos que existem suspeitas sobre Michel Temer (só suspeitas, porque até agora nada foi provado), Renan Calheiros e Eduardo Cunha, as quais indicam que eles também estariam envolvidos em casos de corrupção. O Presidente do Senado ainda não possui acusações extremamente fortes contra ele, mas o da Câmara dos Deputados, já está na mira da justiça, faz algum tempo. E com certeza também será acusado e julgado depois que esse terremoto chamado processo de impeachment passar.

O fato do PT, Lula e Dilma insistirem na tese de que Temer é um traidor e está armando para assumir o governo e por isso orientou e apoiou o desembarque de seus partidários democratas é choro de quem não tem mais o que fazer. O PMDB aguentou até bastante ao lado do governo, visto a crise pela qual nosso país passa, que foi instalada principalmente pela incompetência e falta de caráter das pessoas que governaram o país nos últimos anos. Aliás, falar que Temer não foi eleito pelo povo como Dilma é um tanto quanto incoerente, porque quem votou nela, sabia qual era seu vice, isto é, como a chapa era formada e, portanto, escolheu Dilma e Temer juntos, para governar o país.

Enquanto o PT chora por estar perdendo seu espaço, o PMDB corre para fechar aliança com o PSDB e tentar “dar um gás” e impulsionar a economia do Brasil para níveis acimas dos últimos já vistos e assim desencadear uma espécie de efeito dominó positivo: se a inflação é controlada, os salários dos trabalhadores terão mais poder de compra, o que será bom para o comércio e para o setor de serviços, que além de poderem empregar mais pessoas, comprarão mais das indústrias que fornecem para elas, que por sua vez também contratarão mais gente para atender a demanda; quanto mais gente trabalhando, mais consumo e a economia começa a entrar nos eixos. É uma coisa muito óbvia que não foi nem sequer cogitada nos últimos anos pelo atual grupo que detém o poder político, em detrimento de demasiado investimento em programas sociais, muito importantes, mas que serviram simplesmente como instrumento eleitoral. O PSDB, nessa semana que está para findar, acenou que aceita participar desse novo governo, mas fez exigências, dentre elas, algumas bem interessantes: reforma política, com sugestão para o fim do presidencialismo (modelo político atual, onde o (a) Presidente da República tem poder para mandar e desmandar, desde que tenha moral política, claro) e para a implantação do parlamentarismo (onde o representante supremo do país é o Primeiro-ministro, o qual tem suas ações orientadas e aprovadas por um grupo de parlamentares, que são na verdade quem definem o rumo da nação que representam), ajuste fiscal, combate à inflação de maneira tempestiva, aprimoramento dos programas sociais e qualificação na gestão pública. Se eu fosse um político cacique do PMDB eu aceitaria no mesmo instante essas exigências, quando fossem apresentadas. E ainda agradeceria a colaboração. São mais que necessárias, para que nosso país tome um rumo mais adequado à história de seu povo e à realidade em que deveria e merecia estar.


 

Luiz Eduardo Galvão de Morais Paixão
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