Luiz Eduardo Galvão de Morais

Pacato Cidadão

Luiz Eduardo Galvão de Morais

dugalvaomo@gmail.com

A Câmara Municipal deveria ser um ambiente totalmente frequentado por pessoas responsáveis e que adotassem uma postura de defender a população, e entenda-se por defesa, a atuação agressiva (por mais incoerente que pareça ser) no sentido de não aprovar projetos de Lei que afetem os cidadãos, seja em que área for. Infelizmente, não posso afirmar que aqui em nossa querida cidade, isso acontece. Quando um projeto de Lei que aumenta em aproximadamente R$ 500.000,00 os gastos em nosso município com a criação de 29 cargos de confiança (aqueles cargos, que como todos sabemos, na maioria das vezes servem para “lavar a mão”, para “pagar dívidas” ou para “calar a boca”, com a indicação de conhecidos próximos e até mesmo familiares) para o quadro técnico da Secretaria da Saúde é aprovado por 10 a 4, podemos tirar conclusões facilmente de como anda a política itapevense e em quem realmente devemos depositar as esperanças de um dia isso melhorar.

O incrível é que em tempos de crises, onde há corte de despesas em alimentação  e em contratação de estagiários (as) e professores para as escolas, existe espaço para contratação de 29 pessoas que não prestaram concurso público e que possivelmente estarão ganhando seus salários e desempenhando suas funções tão somente porque têm boa relação com algumas pessoas da política itapevense. Justo? Com certeza não. Centenas, talvez milhares de pessoas que têm condições de trabalhar, têm competência, têm conhecimento, mas não têm oportunidades iguais a essa porque simplesmente não “puxam o saco” ou não fazem “favores obscuros” para certos políticos e que prestaram concursos da prefeitura nos últimos anos não estarão entre os escolhidos.

Outro questionamento válido é se esses cargos são necessários. Gostaríamos de saber quais são os cargos e suas funções, que atividades desempenharão e quais serão os salários. Quais serão os critérios para escolha das pessoas a serem escolhidas? Com toda a certeza do mundo, a meritocracia não estará entre eles.

Nessa coluna, para quem me acompanha, eu costumo abordar assuntos macro, que geralmente digam respeito à acontecimentos em nosso país ou até mesmo no mundo. Raramente cito algo específico de nossa cidade. Primeiramente porque gosto de “falar” sobre temas mais abrangentes e em segundo lugar porque já existem colunistas excelentes nesse jornal que citam os temas mais importantes que se referem à Itapeva. Porém, minha indignação com a aprovação do tal projeto de Lei é tão grande, que não resisti.

Eu, como cidadão de Itapeva, gostaria de entender o que se passou pela cabeça dos 10 vereadores que aprovaram o projeto e qual o argumento que usaram para tal. Não entra na minha “cuca” que pessoas que foram eleitas pelo povo, para defender os direitos da população, aprovem uma coisa absurda dessa em época que o “mar não está para peixe”. Todos sabemos que as finanças em nossa cidade não estão lá essas coisas (ouvi boatos de que até parcelaram pagamento de décimo terceiro salário para funcionários porque não havia dinheiro) e numa semana qualquer, pessoas que deveriam se orgulhar de estar representando o povo fazem uma “palhaçada” dessa? Sinceramente, fico me perguntando se cada um deles já elaborou algum projeto que realmente seja bom ou se pelo menos compreendem a função que desempenham. Se podem gastar quase meio milhão de reais com cargos, por que não podem usar esse dinheiro nos orçamentos da educação, da saúde (estrutura operacional, profissionais de atendimento e não o tal “quadro técnico”) e da segurança pública? Se pensassem menos em inventar, teríamos mais para investir nessas áreas. Como diz um conhecido chef de cozinha quando aconselha candidatos que fazem pratos para concorrer a um prêmio num famoso reality show que passa em TV aberta, às vezes, menos é mais.

Espero que o Ministério Público analise esse projeto com muito carinho, averiguando a necessidade dos cargos e a motivação desse projeto ter sido colocado em votação e aprovado. Fica aqui minha congratulação aos 4 vereadores que votaram contra a aprovação. Mostraram consciência, responsabilidade e respeito pelo povo itapevense.

 

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