Luiz Eduardo Galvão de Morais

Pacato Cidadão

Luiz Eduardo Galvão de Morais

dugalvaomo@gmail.com

Na cidade mais badalada da Terra, o Sr. Temeridade participava de um evento para discutir gestão e a governança dos países que têm influência econômica no rumo do planeta. Como ele representava a nação Vergonha, teve muito “trabalho” para responder alguns questionamentos, devido à corrupção que acontece naquele país, pela qual também é investigado e que vem sendo cada dia mais divulgada mundo afora. O entrevistador pergunta:

- “Sr. Temeridade, Vossa Excelência poderia nos explicar o que acontece na Vergonha, visto que é um país de um povo tão trabalhador, com quase duzentos milhões de habitantes, grande extensão territorial, igualmente grande arrecadação de impostos, sem grandes problemas de fenômenos naturais, ou seja, poderia 'dar as cartas' na economia mundial, mas vem passando por uma 'novela' sem fim com a investigação da operação Lava Rato?”.

Temeridade, pensa um pouco, gira a cabeça de um lado para o outro, como se fosse um robô sem pescoço, com sua característica peculiar e responde:

- “Na verdade, nosso país vem passando por casos gravíssimos de corrupção, que estão sendo investigados e que terão um julgamento justo e coerente com o que o povo vergonhoso merece. Peguei uma situação desfavorável para governar, visto que minha antecessora 'destruiu' as finanças do país com suas campanhas eleitorais e o antecessor dela era um demagogo 'de primeira', governando para o povo que alienou com sua 'conversa fiada' e esquecendo-se de investir verdadeiramente na Vergonha”.

Em outro continente, Inacinho, o antecessor da antecessora, em meio a uma dosinha e outra de cachaça e assistindo ao evento, 'da piti':

- “Mas como pode, Fantochinha? Temeridade era nosso amiguinho e agora está falando mal de nós. É um traíra. Até parece que não lucrou um pouquinho com a gente, né? Não sei de nada do que ele 'tá' falando, você sabe? (Fantochinha, a antecessora de Temeridade, com cara de 'Mônica robotizada', faz de conta que não 'é com ela'). Nunca antes na história desse país, ouve um governante como eu, honesto. Imagina, fui Presidente da República e só tinha um triplex e um sítio. Que coisa, não?”.

No evento, o entrevistador, pergunta ao Sr. Temeridade:

- “Vossa Excelência poderia nos explicar qual o impacto dessa crise institucional na Vergonha para os investimentos estrangeiros, sendo que é visível o receio dos investidores, devido à corrupção instalada no país e considerando que o senhor, que é o atual Presidente da República, também está sendo investigado?”.

- “Veja bem... os casos de corrupção estão sendo investigados pela Lava Rato e eu tenho plena convicção de que o Tribunal agirá com clareza e fará justiça. Os fatos relatados contra mim são absolutamente inverdades. Os investidores não terão receio e farão seus investimentos na Vergonha, porque não encontrarão em nosso país o fator corruptor (ele pausa e se pergunta silenciosamente: 'o que eu disse? Fator corruptor? O que é isso? Sei lá, mas deve funcionar...'). Além disso, tivemos alta na arrecadação de impostos de mais de 10% em Agosto, com mais de R$ 100 bilhões arrecadados, ou seja, a economia do país está 'voltando aos trilhos'!”.

O entrevistador “pensa com seus botões”: “que cara safado! E o povo que se f... com os impostos”. E finaliza a entrevista agradecendo o Sr. Temeridade e os participantes.

Já devidamente instalado na limusine presidencial, Sr. Temeridade pergunta à sua bela esposa, Primeira Dama Martela:

- “Onde vamos jantar, amor?”

- “FORA, Temeridade!”, ela responde, com um sorriso no rosto.

Escrevi esse artigo tarde da noite. Não sou boi, mas vou dormir, porque essa “conversinha” do nosso Presidente da República de que “está tudo bem” não “cola” para mim. Um excelente final de semana a todos.

 

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