livro spc 945Obra faz uma incursão aos anos de chumbo para contar a história fictícia de dois jovens militantes que se apaixonam em meio à luta armada

Prestes a publicar seu mais novo romance, o jornalista, escritor e colunista Sebastião Pereira Costa (SPC) duela diariamente com a solidão que a tarefa de refletir lhe impõe para se manter em forma. Durante o tempo em que permaneci em sua residência, conversamos sobre a conjuntura nacional e municipal. Sobre isso, depois mais de quatro décadas de artigos assinados em dezenas de jornais, SPC diz estar cansado. “Não há nada de novo acontecendo, falta assunto”. A esse drama pessoal, chamou de “menopausa literária”.Foram três horas de conversa com a maior parte do tempo dedicada a falar de seu mais novo rebento literário, uma obra ambientada em um dos períodos mais nebulosos da história brasileira: a ditadura militar.

A obra tem farto embasamento histórico em que o autor resgata militantes famosos do período, como Zé Dirceu, Toledo da ALN e outros, muitos deles abatidos pela repressão do governo. “A ditadura causou a estagnação política e impediu o surgimento de novas lideranças no universo político nacional”, diz o autor.

Esta não é a primeira vez que os “anos de chumbo” são ambientados em suas narrativas.  Em 1993 lançou “Não Verás Nenhum País Como Este”,que foi prefaciado pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. O título é uma invocação à poesia do “príncipe dos poetas brasileiros”, Olavo Bilac, através do poema “A Pátria”, uma exaltação ao orgulho nacional.

Além desse livro lançou outras duas obras: Eleições em Pedra Chata e A História Oculta, que foi lançada no ano passado cuja história é ambientada em uma época de transformações sociais e políticas que marcaram o nosso país e o mundo nas décadas de 1930 e 1940.

Desta vez,“O Amor Acima de Tudo” ou “O Amor em Tempo de Luta Armada” (o título ainda está em aberto, diz o autor) é um romance destinado a jovens e adultos e aos que gostariam de saber como era a vida cotidiana das pessoas durante o período dos governos militares, principalmente, aquelas que, de alguma forma, se opunham ao regime ou eram militantes políticos.

Naintrodução, SPC traz à tona o universo dos jovens militantes da época, imbuídos pelo desejo de sacudir o país contra um governo tido como ilegítimo e repressor das liberdades. Diz o autor: “É uma história de amor e desafios e tem como “pano de fundo” a guerrilha urbana; fatos e ficção se entrelaçam no relato da transição social e política de uma época em que os ideais de uma juventude que acreditava em utopias se chocavam com a força bruta da ditadura militar. Jovens que queriam mudar o mundo e o governo opressor e se engajavam em organizações de es­querda, sem certeza de sucesso, arriscando a vida numa luta sem regras e sem limites ao mesmo tempo em que compartilhavam entre si emoções de amor e sexo”.

A obra aborda, também, o pensamento e as ações da direita extremista, que tinha na imprensa, no Congresso Nacional e em grande parte da elite pensante do País os seus porta-vozes. Nesse cenário de mitificação de uma Era, marcada por sonhos e utopias, que Danielle Montfort encontrou o amor de sua vida a despeito de todas as barreiras”.

De temperamento forte e combativo, Danielle, a protagonista, preocupava os pais. Ela estudava Psicologia na USP quando conheceu George, estudante de Economia na Mackenzie, e os dois se apaixonaram, apesar das barreiras políticas, ideológicas e familiares que os separava. Ela não tinha certeza de qual curso fazer e optou pela psicologia não porque gostasse da matéria, mas por não ter nenhum outro que a interessasse. Na verdade, ela não queria estudar, cedera à pressão dos pais que insistiam para que tivessse ao menos formação universitária, pois com o tempo descobriria a sua verdadeira vocação.

Antes de decidir por qual grupo clandestino se engajar, Danielle meditara bastante, sabia dos riscos de ser presa, torturada, até de ser morta em uma ação malsucedia, por isso, mantinha segredo dos pais. A expectativa de confronto armado fazia parte do imaginário dos grupos de contestação ao governo militar a despeito de a maioria ficar somente nas intenções.

Embora conversasse sobre política com os colegas e tivesse lido vários manifestos contra a ditadura, Danielle refletia se era isso mesmo que queria; será que participar de um grupo de ação armada iria preencher o vazio que sentia na rotina de dias sempre iguais? Não tinha motivação ideológica nem política, apenas sentia revolta pelas ações da ditadura contra o povo e as instituições do País e da violência contra o movimento estudantil.

Entretanto, sabia que era um caminho sem volta, uma vez engajado o militante não tinha como sair sem levar a pecha de traidor. Enfim, decidiu-se pela POLOP (Política Operária) grupo formado por estudantes da USP e militantes do Partidão de Prestes com objetivo de formar uma guerrilha urbana.A obra foi escrita visando o jovem de hoje, a maior vítima do país de ontem.

  • Pacto Conciliação
  • Cofesa Loja 6

Capa da última edição

capa IN

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