Origens
Ali, na Rua Martinho Carneiro, n. 177, na esquina com a Praça Anchieta, ergue-se o prédio azul e branco, de arquitetura colonial que sedia a Secretaria da Cultura e a nossa Casa da Cultura Cícero Marques.
A fachada foi preservada após inúmeras intervenções, restauros e reformas. As iniciais DMC que se encontram acima da porta de entrada são as do nome do primeiro proprietário: Donato Mello Camargo.
Conta-se que na antiga residência, no início do século passado, os proprietários da família Pimentel realizavam memoráveis saraus.
A senhora Zelina Pimentel Figueiredo concedeu um depoimento, em 1994, ao então Secretário da Cultura, Newton de Moura Müzel:
“No casarão onde hoje está instalada a Casa da Cultura, passei grande parte de minha infância e juventude – lugar onde nasci e me criei. Entre avós, pais parentes e amigos, assisti a muitas tocadas. Era minha vó Sinforosa Queiroz Pimentel, casada com Adolfo Pimentel que na sala da esquerda passava horas ao piano, se preparando para receber os amigos, músicos e artistas.”
A nossa Casa da Cultura foi a primeira da região. Criada com a denominação de Casa da Cultura de Itapeva pela Lei Municipal n. 151, de 14/02/1986, foi inaugurada em 02 de Junho de 1986. Ficou subordinada à Secretaria Municipal de Educação e Cultura.
Nasceu das exigências da própria comunidade, sob a liderança de um grupo de artistas e pessoas interessadas que se reuniam periodicamente para conquistar um espaço cultural.
Pela Lei 151/86 a Casa da Cultura destinava-se a “fornecer espaço para um Museu Histórico do Município, Biblioteca Municipal, artesanato, cursos, lançamentos literários, apresentações diversas, reuniões e outros eventos culturais.
Representou uma grande conquista no campo cultural para Itapeva.
Está registrado que em 22 de agosto do mesmo ano, realizou-se uma reunião festiva com a presença de mais de duas centenas de pessoas, ocasião em que ficou marcada a inauguração da Casa da Cultura.
O Decreto 583/87 nomeou para Presidente da Casa o então Secretário da Educação e Cultura, Walter Gemignani, sendo Vice-Presidente o Professor e Jornalista Davidson Panis Kaseker.
Com a publicação do Decreto 605, de 8 de maio de 1987, ficou nomeada a primeira Diretoria, mantendo os nomes do Presidente e Vice-Presidente já escolhidos e citados.
O mesmo Decreto nomeou os Presidentes das seguintes Comissões:
Artes Cênicas: Teresa Cristina Bongiovani,
Artes Musicais: José Antonio de Almeida,
Arte de Trovar: Rui Gomes Pinheiro,
Museu Histórico e Artístico do Município:
Átila Bonilha Neto,
Artes Plásticas: Wanda Gemignani Mancebo,
Eventos Bibliotecários: Renata Libois,
Exposições de Coleções: Maria Elizete da Silva,
Artesanato: Murilo Marques Belezia
O Secretário Walter Gemignani permaneceu na Presidência até 23/09/87, sendo sucedido por Davidson Panis Kaseker que exerceu o cargo interinamente até 14/01/1988.
O Decreto 703, de 19/01/88, nomeou a seguinte Diretoria:
Presidente: Davidson Panis Kaseker
Vice-Presidente: Murilo Marques Belezia
1°. Tesoureiro: Waldemar Ferreira
2°. Tesoureiro: Jaime Santos Vieira
1°. Secretário : Euflavio Barbosa
2°. Secretário: João Carlos Kuntz
O professor Davidson Panis Kaseker ocupou o cargo de Presidente até Dezembro de 1988. O professor Euflavio Barbosa, sempre atuante, desempenhou as atribulações de Assessor Administrativo de 13/03/1988 até 28/02/1989.
Os citados são os pioneiros das atividades da Casa da Cultura de Itapeva que logo passou a ser chamada Centro Cultural Cícero Marques numa homenagem espontânea e afetiva à figura do itapevense que batalhou pela Cultura em Itapeva.
Cícero Marques fez parte do grupo que no início dos anos oitenta lutava pela conquista daquele Espaço Cultural. Foi ele que adquiriu peças raras para o Museu, entre elas, as Urnas Indígenas.
Sucedeu o Secretário da Educação e Cultura, Walter Gemignani, na Presidência da Casa, o professor Raquebe Hussne, carinhosamente conhecido por Raul Hussne.
Em 1989, o então Prefeito Municipal Armando Ribas Gemignani, chamou o Professor Newton de Moura Müzel, músico dotado de notório saber, para presidir o Centro Cultural Cícero Marques e em 1990, o ilustre professor foi nomeado para a Secretaria de Educação e Cultura.
Em 05/06/1993, com a Lei 638/93, foi criada a Secretaria Municipal da Cultura desmembrada da Educação, sendo nomeado o professor Newton para a esperada Pasta. A Secretaria foi instalada em 01/07/1993, na administração Guilherme Brugnaro.
O professor Newton permaneceu como Secretário da Cultura até sua morte, em 08/05/2004.
Somente em 08/04/1996, nos dez anos anos de sua existência, através da Lei 870/96, o Centro Cultural recebeu o nome oficial de Casa da Cultura Cícero Marques.
Destacamos entre inumeráveis ações e eventos culturais ali realizados: Concursos de Contos, Crônicas e Poesias (1987, 1992 e 1995); formação e supervisão do Coral Municipal, numa primeira fase sob a regência do professor e maestro João Carlos Kuntz; Murais Literários, sob a coordenação de Maria Olinda; Palestras; Cursos Permanentes (teclado, violão e pintura) e temporários; exposições de Artes Plásticas; Apresentações Teatrais; Cantatas; Recitais e Audições Musicais; Lançamentos de livros; Arte em Computador; os Festivais da Primavera, a participação em Mapa Cultural Paulista.
A antiga lojinha de Artesanato que foi organizada nos primeiros anos da Casa da Cultura, hoje ocupa um espaço próprio e bem recebido.
A Casa da Cultura recebe artistas locais, regionais, estaduais e até internacionais como exemplificamos: Exposição de Arte Africana, em maio de 1999, Coro Adagio del Centro Regional “Gral Patrício Escobar”, de Encarnacion, do Paraguai, Coro Infanto Juvenil, em 02/10/1995; o Concerto da Orquestra Frenesi do Maestro Roland Fink Singers, da Suíça, em 03/07/1999; o Coro dos Meninos da Basileia, da Suíça, em 12/07/2002; a Exposição das obras de Cláudio Pastro, em 2025, os espetáculos e aulas de Dança e exposições de Artes Visuais, entre outros acontecimentos.
Todos os Secretários nomeados após a passagem do Secretário Newton de Moura Müzel pela Cultura de Itapeva deixaram a marca indelével de suas personalidades.
A Casa da Cultura Cícero Marques tornou-se referência cultural e hoje é símbolo que identifica Itapeva e com ela nos identificamos.
Maria Olinda Rodrigues
Resumo de artigo publicado pela autora, no Jornal Folha do Sul, Capa da Folha 2, em 02 a 08 de Setembro de 2002.

