A sessão de julgamento marcada para esta quarta-feira (22), na Câmara Municipal de Itapeva, coloca o município diante de uma decisão grave, que exige mais do que discursos: exige responsabilidade.
É preciso dizer com clareza o que está (e o que não está) em jogo.
Não se trata de avaliar se a gestão da prefeita Adriana Duch Machado agrada ou desagrada. Não se trata de medir popularidade, tampouco de antecipar um julgamento que pertence às urnas. A prefeita foi eleita de forma legítima no pleito de 2024, por voto popular, e é esse o instrumento próprio da democracia para validar ou rejeitar governos.
O que está em análise é outro campo: o jurídico. São fatos, provas e enquadramentos legais que devem sustentar, ou não, uma decisão tão extrema quanto a cassação de um mandato.
E é justamente por isso que este jornal entende que o momento exige cautela redobrada.
Quando um processo dessa natureza passa a ser contaminado por leituras políticas, interesses circunstanciais ou disputas de poder, ele deixa de cumprir sua função institucional e passa a flertar com algo muito mais preocupante: o uso de um mecanismo legal como ferramenta política.
Cassação não é instrumento de conveniência. Não é atalho para encurtar mandatos. Não é resposta a insatisfações administrativas.
Diante disso, este veículo de comunicação se posiciona de forma clara: na ausência de comprovação de dano ao erário público ou de irregularidades graves devidamente comprovadas, não há justificativa para a cassação de uma prefeita eleita de forma legítima.
Se não houver base técnica sólida, inequívoca e estritamente comprovada, qualquer decisão nesse sentido corre o risco de se afastar da legalidade para se aproximar de uma escolha política e isso, em um Estado democrático, é um precedente perigoso.
O momento exige maturidade. Exige que o plenário da Câmara compreenda o peso de sua decisão e resista à tentação de transformar um julgamento técnico em palco político.
A eleição terminou em 2024. Desde então, o que se espera dos agentes públicos é o compromisso com a cidade e com sua população, não a permanência em um ambiente de disputa eleitoral contínua. O uso da tribuna como extensão de palanque, com vistas a desgastes políticos ou projeções para o próximo pleito, em nada contribui para o interesse público.
A vontade popular se expressou nas urnas. E é lá que ela deve ser respeitada.
A sessão está marcada para as 17h desta quarta-feira, 22 de abril de 2026, aberta ao público e com transmissão ao vivo pela página oficial da Câmara de Itapeva no Facebook.

