Editorial — Tudo novo, de novo (24/04/2026)

A cassação de Adriana Duch pela Câmara de Itapeva, após mais de 10 horas de sessão, não é apenas um desfecho político, é também um retrato do momento que a cidade atravessa. Um cenário em que decisões de grande impacto são tomadas sob forte divisão, interpretações distintas e, inevitavelmente, sob o peso da política.

Foram 11 votações. Em cinco delas, o número necessário foi atingido para a cassação. Em outras seis, não. Esse dado, por si só, já revela um ponto central: não houve consenso. Houve maioria. E maioria, embora legítima no processo legislativo, não elimina o debate sobre a consistência das decisões tomadas.

A própria Comissão Processante expôs isso de forma clara. Enquanto seu presidente apontou ausência de elementos suficientes para responsabilização, o relator seguiu caminho oposto. Não se trata de detalhe. Trata-se da base do julgamento. Se dentro da comissão há leituras tão divergentes sobre os mesmos fatos, é inevitável que a população questione: o que, de fato, estava comprovado?

No plenário, o cenário se repetiu. Votos firmes de um lado, votos firmes de outro e posicionamentos intermediários. Alguns vereadores entenderam que houve infrações graves. Outros, diante dos mesmos pontos, não viram comprovação suficiente. E essa divisão não pode ser ignorada, ela é parte essencial da análise política do caso.

Isso não significa invalidar a decisão. A Câmara seguiu o rito legal e alcançou os votos necessários.

No meio desse embate, está a cidade. E talvez este seja o ponto mais sensível. A cada crise política, Itapeva perde tempo, continuidade administrativa e estabilidade. Projetos ficam pelo caminho, decisões são postergadas e a população, mais uma vez, precisa se adaptar a uma mudança brusca de comando.

A cassação resolve uma disputa institucional, mas abre um novo ciclo de incertezas. A posse do vice-prefeito, agora prefeito Generci Neves, garante a continuidade formal do governo, mas não apaga o ambiente de tensão política que permanece.

Adriana Duch, por sua vez, já sinalizou que buscará reverter a decisão na Justiça. É um direito. E, a partir de agora, o caso pode ganhar novos capítulos fora do campo político, onde as interpretações dão lugar à análise jurídica.

No fim, mais do que quem ganha ou quem perde, há uma conta que sempre chega. E ela, quase sempre, é paga pela população.

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