Política em ebulição
A cassação da prefeita Adriana Duch e a posse do agora prefeito Generci Neves colocam Itapeva em mais um capítulo de instabilidade política. Uma sessão longa, com mais de 10 horas, terminou com cinco condenações suficientes para a perda do mandato, mesmo com outras seis acusações sendo rejeitadas.
Divisão dentro da própria comissão
Um dos pontos que mais chama atenção é a divergência dentro da Comissão Processante. Enquanto o presidente apontou ausência de elementos para responsabilização, o relator teve entendimento contrário. A diferença de leitura sobre os mesmos fatos levanta questionamentos sobre a consistência das conclusões.
Votos e posicionamentos
A votação mostrou um plenário dividido: houve vereadores que mantiveram posição firme pela cassação, outros pela absolvição, e alguns com votos alternados. O cenário evidencia que o julgamento não foi unânime e teve diferentes interpretações ao longo dos quesitos.
O custo para a população
Em meio a embates políticos, a população acompanha mudanças bruscas na gestão. Projetos podem ser interrompidos, decisões ficam mais lentas e a instabilidade impacta diretamente o dia a dia da cidade.
Nova gestão, velhos desafios
Com a mudança no comando do Executivo, a nova gestão assume com demandas urgentes e sob forte atenção pública, em um ambiente ainda politicamente sensível.
Emendas impositivas
Um dos pontos que resultaram em condenação foi o não pagamento de emendas impositivas. A acusação apontou descumprimento do orçamento, enquanto a defesa questionou a ausência de indicação concreta de emendas não pagas.
Dispensas de licitação
Outro tema decisivo envolveu contratações sem licitação. A denúncia apontou uso excessivo e irregular do mecanismo, enquanto a defesa alegou redução desses procedimentos e contestou os valores apresentados.
Reconhecimento de dívidas
Também pesou na decisão o uso do instrumento de reconhecimento de dívidas. O questionamento foi sobre despesas sem previsão orçamentária prévia, enquanto a defesa sustentou que os processos seguiram trâmites administrativos legais.
Saúde e cumprimento de prazos
O não cumprimento de prazos previstos em lei municipal para exames e cirurgias também foi considerado. De um lado, a acusação fala em omissão; do outro, a defesa aponta dificuldades práticas e ausência de responsabilidade direta.
Decoro e conjunto das ações
A questão do decoro foi analisada a partir do conjunto das acusações. Para parte dos vereadores, houve incompatibilidade com o cargo; para outros, não houve elementos novos além dos já discutidos.
Tarifa Zero
A acusação de uso indevido de recursos da educação no programa Tarifa Zero não atingiu votos suficientes. A defesa negou qualquer irregularidade e apontou falta de base documental.
Imóvel do Bolsa Família
A locação de um imóvel que teria ficado sem uso também foi debatida. A denúncia apontou desperdício, enquanto a defesa apresentou registros de utilização do espaço.
Doação de armas
A transferência de armamentos da Guarda Civil para outro município dividiu opiniões. A acusação apontou falhas legais, enquanto a defesa sustentou que o procedimento seguiu normas vigentes.
Requerimentos e transparência
Outro ponto envolveu a suposta falta de resposta a requerimentos da Câmara. A defesa alegou ausência de comprovação de recebimento desses documentos.
Proteção animal
Houve ainda discussão sobre o cumprimento de leis de proteção animal. A responsabilização direta da prefeita foi questionada durante a análise.
Isenções de impostos sob análise
A concessão de isenções de IPTU também foi tema de debate, com acusações de prejuízo à arrecadação e defesa apontando falta de provas concretas.
Manifestação após a cassação
Após o encerramento da sessão, Adriana Duch publicou um vídeo em suas redes sociais comentando a decisão. Na gravação, classificou o momento como “um dia triste para a cidade”, citando os impactos das mudanças na administração.
Judicialização do caso
Na mesma manifestação, Adriana Duch afirmou que pretende recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão e sustenta que buscará comprovar sua inocência nos meios legais.
E agora?
A decisão encerra o processo na esfera político-administrativa, mas o debate segue. Entre interpretações, votos divididos e impactos diretos na gestão, a cidade continua acompanhando de perto os próximos capítulos.

