Editorial — Entre a festa e a realidade (26/06/2026)

Junho tem sido um mês movimentado. Entre as tradicionais festas juninas, a Copa do Mundo e a crescente movimentação política, a população encontra motivos para celebrar, torcer e participar da vida pública. E isso é positivo. Afinal, momentos de lazer e união também fazem parte da construção de uma sociedade mais participativa.

Mas é justamente nesses períodos que surge uma reflexão importante: a alegria dos eventos não pode fazer com que percamos de vista os desafios do cotidiano.

Enquanto a Seleção Brasileira desperta novamente o sonho do hexa e reúne famílias diante das transmissões dos jogos, problemas antigos continuam presentes nos municípios. Saúde, infraestrutura, mobilidade e tantos outros temas seguem exigindo atenção das autoridades e acompanhamento da população.

No cenário político, o período pré-eleitoral também já começa a mostrar seus sinais. Novos rostos aparecem, visitas se intensificam e promessas voltam a ocupar espaço nos discursos. Trata-se de um movimento natural da democracia. Porém, mais importante do que ouvir promessas é analisar trajetórias. O eleitor precisa saber distinguir quem apenas chega em época de campanha daqueles que mantiveram presença e trabalho ao longo dos anos.

Ao mesmo tempo, o Legislativo municipal também precisa assumir seu papel de protagonista nos debates de interesse público. A sociedade espera uma Câmara atuante, fiscalizadora e presente nas discussões que impactam diretamente a vida da população. Quando o debate acontece, como em recentes discussões envolvendo a saúde municipal, a comunidade acompanha e participa. É assim que deve ser.

Por outro lado, também merece reconhecimento aquilo que funciona. A iniciativa de disponibilizar um espaço para que a população acompanhe os jogos da Seleção mostrou que investir em convivência e ocupação dos espaços públicos pode gerar resultados positivos. Ver famílias reunidas e a comunidade participando demonstra que boas ideias encontram respaldo quando são executadas.

Entre festas, futebol e política, a principal lição talvez seja a mesma de sempre: celebrar é importante, mas acompanhar a realidade é indispensável. A cidade não para durante a Copa, os problemas não entram em recesso e as decisões que definirão o futuro da região continuam sendo tomadas todos os dias.

Cabe ao cidadão torcer, festejar e aproveitar os bons momentos, sem abrir mão da atenção e da cobrança que a vida pública exige.

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