Há momentos em que uma região inteira entende que fronteiras municipais não são capazes de separar pessoas. O que aconteceu em Itararé nos últimos dias é um desses exemplos.
A forte chuva de granizo deixou um rastro de destruição, atingindo casas, famílias e sonhos que, de uma hora para outra, precisaram ser reconstruídos. Mais de 700 famílias ficaram em situação de vulnerabilidade e, diante de uma realidade tão difícil, a resposta veio de onde talvez fosse mais necessária: da solidariedade.
Itapeva se mobilizou. Moradores, empresários, comerciantes, vereadores, voluntários e o poder público se uniram para arrecadar alimentos, roupas, cobertores e outros itens essenciais. Um caminhão carregado de doações seguiu para Itararé, levando muito mais do que produtos: levou a mensagem de que ninguém precisa enfrentar uma tragédia sozinho.
E essa corrente não parou com a chegada do caminhão. As doações continuam sendo recebidas, porque a necessidade também continua. Cada alimento entregue, cada roupa separada e cada contribuição representam um gesto de empatia diante de famílias que perderam parte do que tinham.
A tragédia de Itararé sensibilizou toda a região justamente porque poderia ter acontecido com qualquer um de nós. A chuva não conhece divisas, assim como a solidariedade não deveria conhecer.
Em tempos em que tantas vezes somos lembrados pelas diferenças, Itararé nos lembra de algo muito mais importante: somos vizinhos, somos comunidade e, quando um de nós precisa, todos podemos fazer alguma coisa.
Que a reconstrução das famílias atingidas seja rápida. E que a corrente de solidariedade permaneça forte até que o último lar afetado possa voltar a ter segurança, dignidade e esperança.
Porque, diante da dor de um vizinho, ajudar também é uma forma de dizer: você não está sozinho.

