O Brasil chega a mais uma eleição em meio a um ambiente de forte tensão política. E, desta vez, parte significativa da discussão está concentrada no próprio Supremo Tribunal Federal.
A sessão desta semana expôs divergências e conflitos dentro da Corte. A ministra Cármen Lúcia chegou a afirmar estar “um pouco até envergonhada” com a situação e disse que o STF havia provocado um “mal-estar cívico” no país. Também reconheceu que o Poder Judiciário existe para tranquilizar a sociedade, mas que, naquele momento, estava gerando intranquilidade.
O episódio ganha uma dimensão ainda maior porque acontece em plena era das redes sociais. A cada decisão, declaração ou conflito, uma avalanche de vídeos, cortes, acusações e interpretações toma conta das telas. Muitas vezes, a velocidade da informação é maior do que o tempo necessário para entender o contexto.
E os reflexos ultrapassam Brasília. A discussão chega às famílias, aos grupos de amigos, aos ambientes de trabalho e às cidades. Discordâncias políticas que antes terminavam em uma conversa agora, não raramente, transformam-se em confrontos.
O problema não está em questionar instituições ou discordar de decisões. Em uma democracia, isso é legítimo. O desafio é preservar a capacidade de distinguir fato de opinião, crítica de acusação e informação de narrativa.
Em um ano eleitoral, talvez essa seja uma das maiores responsabilidades de todos nós: não permitir que a velocidade das redes determine aquilo que pensamos antes mesmo de sabermos exatamente o que aconteceu.
No fim, decisões políticas pertencem ao eleitor. E, para que essa escolha seja verdadeiramente livre, informação precisa vir antes da indignação.

