Azeite orgânico de Bom Sucesso de Itararé premiado internacionalmente será um dos destaques do Sudoeste Paulista na Feira do Empreendedor 2026

Produzido pela Fazenda São Benedito, o Azeite Bene Orgânico conquistou reconhecimentos em cinco concursos internacionais; participação no evento do Sebrae-SP busca aproximar o produto brasileiro dos consumidores

A Feira do Empreendedor 2026, promovida pelo Sebrae-SP, deve transformar o São Paulo Expo, na capital paulista, em um grande ponto de encontro para quem busca oportunidades, inovação e novos mercados. Com uma estrutura de 60 mil metros quadrados, cerca de 900 expositores e expectativa de mais de 100 mil visitantes, o evento será realizado de 19 a 22 de outubro, com entrada gratuita. A dimensão da feira também se traduz em resultados: em 2025, foram 962 expositores, 754 missões, mais de 100 mil visitantes e R$ 59,5 milhões movimentados em negócios.

É nesse ambiente de conexões e oportunidades que o Sudoeste Paulista apresenta uma de suas produções de destaque: o Azeite Bene Orgânico, elaborado na Fazenda São Benedito, em Bom Sucesso de Itararé. Com produção certificada como orgânica e prêmios conquistados em competições internacionais, o azeite chega à feira com o propósito de ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre a qualidade dos produtos nacionais e aproximar a marca de novos consumidores.

Para o gerente regional do Sebrae-SP, Adriano Nakamura, a participação de produtores regionais na feira contribui para ampliar a visibilidade de negócios do interior.

“A Feira do Empreendedor é uma oportunidade para que empresas da nossa região apresentem seus produtos, fortaleçam suas marcas e estabeleçam conexões com novos clientes e parceiros. O Azeite Bene Orgânico é um exemplo de como o trabalho desenvolvido no Sudoeste Paulista pode conquistar reconhecimento e ampliar horizontes. Nosso papel é apoiar os empreendedores para que tenham acesso a oportunidades de mercado e possam dar novos passos no desenvolvimento de seus negócios”, destaca.

Produzido pelo empresário Nelson Jorge, o azeite é resultado de um projeto iniciado há cerca de duas décadas, quando ele decidiu investir no cultivo de oliveiras após sua aposentadoria do setor bancário. Criado no meio rural em Piraju, Nelson retomou o contato com a terra ao adquirir a propriedade em Bom Sucesso de Itararé, município que apresenta condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

A produção exige planejamento, adaptação e paciência. As oliveiras podem levar vários anos até alcançar uma escala comercial, e o clima, especialmente as temperaturas mais baixas, é um dos fatores que influenciam o desenvolvimento das árvores e a frutificação.

Atualmente, a fazenda conta com aproximadamente 11 mil oliveiras em diferentes estágios de desenvolvimento. Na safra mais recente, cerca de 2 mil árvores produziram cerca de 4 mil litros de azeite. O produto é elaborado a partir das variedades arbequina, arbosana e koroneiki e apresenta acidez declarada de 0,06%, índice abaixo do limite máximo de 0,8% estabelecido para a classificação de azeite extravirgem.

Reconhecimento internacional
A qualidade do Azeite Bene Orgânico vem sendo reconhecida em concursos realizados em diferentes países. Na safra de 2026, o produto conquistou seis distinções em cinco competições internacionais, reforçando a presença da produção brasileira de azeite no cenário internacional.

Entre os reconhecimentos estão: Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia: medalha de ouro; EVOO International Olive Oil Competition, na Itália: medalha de prata; Terra Olivo, em Israel: medalha de ouro; Brazil International Olive Oil Competition: duas distinções, ouro e melhor azeite orgânico, em concurso com participação de produtores do Brasil e de Portugal; Olivinus, na Argentina: Gran Prestígio Oro.

Além das premiações, a Fazenda São Benedito possui certificação orgânica do Instituto Biodinâmico (IBD) desde 2018. O selo atesta a conformidade da produção com os requisitos aplicáveis à certificação orgânica.

Para Nelson, os resultados são consequência de anos de aprendizado e de escolhas feitas desde o início do projeto.

“Esses reconhecimentos reforçam a viabilidade de uma ideia empreendedora em um segmento novo para a região. Fomos pioneiros no cultivo de oliveiras por aqui e passamos anos aprendendo, testando e nos adaptando até alcançar esses resultados. É uma satisfação ver um produto feito no interior de São Paulo receber reconhecimento em competições internacionais”, afirma.

Produção orgânica começa no solo
A escolha pelo cultivo orgânico foi construída ao longo da trajetória do produtor. Antes de investir nas oliveiras, a fazenda trabalhava com culturas tradicionais, como soja, milho e trigo, além de frutas e hortaliças.

Uma experiência durante o cultivo de tomates levou Nelson a refletir sobre os métodos utilizados na produção agrícola. Ao ser informado de que os frutos de uma estufa não poderiam ser consumidos imediatamente após a aplicação de defensivos, ele se lembrou da infância no campo e dos alimentos produzidos pelo pai sem insumos químicos.

A partir dessa experiência, decidiu interromper as atividades produtivas por cerca de dois anos e meio para recuperar o solo e preparar a propriedade para o cultivo orgânico.

“Paralisamos a fazenda por dois anos e meio para trabalhar na recuperação do solo, utilizando adubos orgânicos e remineralizadores de rocha. Queríamos desenvolver uma produção que respeitasse os processos naturais e permitisse construir uma relação diferente com a terra. Hoje estamos felizes com o caminho escolhido”, relata.

Os remineralizadores, conhecidos popularmente como pó de rocha, são obtidos por meio da moagem de rochas e podem contribuir para disponibilizar minerais ao solo de forma gradual. Na propriedade, a estratégia integra o manejo adotado para a nutrição das oliveiras.

Segundo Nelson, a proposta é reduzir a interferência no equilíbrio natural do ambiente e manter práticas coerentes com a filosofia de produção escolhida para a fazenda.

Do olival à extração
A qualidade do azeite depende de cuidados em todas as etapas, desde o desenvolvimento das oliveiras, até o armazenamento do produto final. Após a colheita, as azeitonas são encaminhadas ao lagar, unidade onde ocorre a extração do azeite.

O produtor destaca que a rapidez nesse processo é importante para preservar as características dos frutos e reduzir os riscos de oxidação. Depois da extração, o azeite é armazenado em tanques de aço inoxidável, protegido da luz, do calor e do contato excessivo com o oxigênio, antes de ser engarrafado.

Esse conjunto de cuidados, associado ao manejo das oliveiras e à escolha das variedades cultivadas, integra o processo de produção do Bene Orgânico.

Ampliando oportunidades na FE26
A participação na Feira do Empreendedor 2026 faz parte da estratégia de Nelson para ampliar o reconhecimento do azeite brasileiro e apresentar o produto a consumidores que ainda não conhecem a produção nacional.

“Minha expectativa em relação à feira é muito grande. O espaço que o Sebrae-SP nos cedeu, cria uma ótima oportunidade para apresentar nosso azeite. Isso vai ao encontro do nosso objetivo para este ano, que é fazer com que o maior número possível de brasileiros experimente o azeite produzido no Brasil”, afirma.

O empresário observa que muitos consumidores estão acostumados a encontrar azeites importados nas prateleiras dos supermercados e ainda desconhecem a diversidade e as características dos produtos nacionais.

“Nosso azeite é fresco, potente, equilibrado e muito palatável. Acredito que as pessoas que experimentarem o produto terão a oportunidade de conhecer melhor a qualidade do azeite brasileiro. Por isso, vejo a feira como uma excelente oportunidade para apresentar nosso trabalho e conquistar novos consumidores”, completa Nelson.

 

 

 

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