Há histórias que cabem na palma da mão. Estão na curva de uma tigela de cerâmica, no trançado de uma peneira de taquara, na delicadeza de uma peça de tecido e na textura da palha transformada em arte. Em cada criação, existe um pouco da história de quem a fez, dos materiais encontrados na natureza e dos conhecimentos transmitidos por gerações.
É essa riqueza de detalhes que artesãos de Apiaí e Itaóca, no Alto Vale do Ribeira, levam à Feira do Empreendedor 2026, realizada pelo Sebrae-SP de 19 a 22 de outubro, no São Paulo Expo, localizado à Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo. Os trabalhos estarão expostos no Sebrae Comunidades, ‘Shopping Compre do Pequeno’, espaço criado para aproximar pequenos produtores do público, valorizar a produção autoral e abrir novas oportunidades de comercialização.
A Feira do Empreendedor é um dos principais encontros de empreendedorismo do país, reunindo pessoas interessadas em abrir empresas, ampliar negócios, conhecer tendências e estabelecer conexões. Nesse ambiente, o Shopping Compre do Pequeno dá visibilidade a microempreendedores individuais, artesãos, agricultores familiares e iniciativas de inclusão produtiva, permitindo que os visitantes conheçam de perto produtos feitos por quem transforma talento, criatividade e conhecimento em fonte de renda.
Para o gerente regional do Sebrae-SP, Adriano Nakamura, a participação dos artesãos representa uma oportunidade de valorizar a identidade dos territórios e mostrar que a tradição também tem lugar no mercado contemporâneo.
“Quando um artesão apresenta seu trabalho em um evento como a Feira do Empreendedor, ele não está apenas expondo um produto. Está compartilhando uma história, uma cultura e um conhecimento que fazem parte da identidade da nossa região. Nosso objetivo é criar oportunidades para que esses empreendedores ampliem sua visibilidade, conquistem novos clientes e reconheçam o valor econômico e cultural do que produzem. Apoiar o artesanato é também contribuir para preservar saberes tradicionais e fortalecer a economia local”, destaca.
Muito além do que se pode ver
No espaço, os visitantes poderão encontrar uma diversidade de peças decorativas e utilitárias, como fruteiras, vasos, tigelas, copos, pratos, petisqueiras, colares e peneiras. São criações feitas com cerâmica, palha, taquara e tecido, materiais que ganham novas formas pelas mãos de artesãos que mantêm viva a tradição do fazer manual.
O diferencial desse trabalho está justamente naquilo que não se reproduz em série: a identidade de cada peça. Os próprios artesãos coletam e preparam matérias-primas, desenvolvem suas técnicas e acompanham cada etapa da produção. O resultado são objetos que unem funcionalidade, beleza e memória, levando um pouco do cotidiano e da cultura do Alto Vale do Ribeira para dentro das casas de quem os escolhe.
Para Diná Looze, artesã do Ateliê Art Looze, participar da feira é uma oportunidade de apresentar ao público a riqueza desse trabalho e mostrar que, por trás de cada objeto, existe dedicação, criatividade e uma história para contar.
“É uma alegria poder levar nosso artesanato para um evento dessa dimensão. Cada peça tem um pouco de nós, do nosso tempo, das nossas mãos e da nossa história. Queremos que as pessoas conheçam a diversidade do artesanato de Apiaí e Itaóca, percebam o cuidado presente em cada detalhe e entendam que estão levando para casa muito mais do que um objeto, estão levando uma parte da nossa cultura. Nossa expectativa é aprender, divulgar o trabalho dos artesãos e conquistar novos espaços para essa tradição”, destaca Diná.
A participação do Alto Vale do Ribeira reúne trabalhos de oito ateliês e iniciativas artesanais. São elas: Arte Looze, Arte nas Mãos Apiaí, Oleira Mendes, Arte Rústica e Recanto da Cerâmica, com peças em cerâmica; Rancho dos Ferreiras, especializado em taquara; Artesanato em Palha de Apiaí, com criações em palha; e Cantinho da Márcia, com trabalhos em tecido.
Cada grupo contribui com técnicas, materiais e estilos próprios, formando uma mostra da diversidade criativa do território. A cerâmica aparece em diferentes formatos, do utilitário ao decorativo, enquanto a taquara e a palha revelam a delicadeza dos trançados e a relação entre o artesanato e os recursos naturais. Já o tecido acrescenta outras possibilidades de criação, cores e texturas.
Para esses artesãos, esta será a primeira participação na Feira do Empreendedor, o que torna a experiência ainda mais significativa. “A expectativa é apresentar o trabalho a um público amplo, realizar vendas, conhecer novas possibilidades de mercado e aprender com outros empreendedores”, comemora Diná.
Em tempos de produção acelerada e consumo em larga escala, o artesanato convida a outro ritmo. Cada peça exige tempo, atenção e escolhas feitas ao longo do processo. Nenhuma história é exatamente igual à outra, assim como nenhuma criação reproduz inteiramente os gestos de quem a produziu.
Para quem visitar o espaço, fica o convite para olhar além da peça pronta, mas também conhecer os materiais, valorizar as técnicas e reconhecer, em cada detalhe, as mãos e as histórias que dão vida ao artesanato do Alto Vale do Ribeira.




