O aumento dos casos de feminicídio no Estado de São Paulo acendeu um alerta nas autoridades de segurança pública e reforçou a necessidade de intensificar ações de combate à violência contra a mulher. Durante o mês de março, período marcado pelo Dia Internacional da Mulher, forças policiais e órgãos da rede de proteção ampliam campanhas de conscientização, fiscalização e atendimento às vítimas.
Em entrevista ao jornal Ita News, o Capitão Vilmar Duarte Maciel atualmente Coordenador Operacional do 54º Batalhão de Policia Militar do Interior, destacou a gravidade dos números recentes e a necessidade de mobilização permanente da sociedade e do poder público para enfrentar o problema.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, janeiro deste ano foi o mês mais violento para mulheres no Estado de São Paulo desde o início da série histórica, com 27 feminicídios registrados, praticamente uma morte por dia. O crime passou a ser contabilizado oficialmente em 2018.
Ao longo de 2025 foram registrados 270 feminicídios, sendo 37 apenas no mês de dezembro, o maior número já registrado em um único mês.
“Esses números mostram o quanto é fundamental fortalecer políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. Não se trata apenas de repressão ao crime, mas também de prevenção, acolhimento e orientação às vítimas”, afirmou o Capitão.
O Capitão Maciel fala sobre a intensificação do combate à violência contra a mulher em março, em razão da Semana da Mulher e diante de números alarmantes registrados no Estado de São Paulo, ações de prevenção, orientação e repressão à violência contra a mulher estão sendo intensificadas ao longo do mês de março. Em entrevista ao nosso jornal, o Capitão Maciel comentou o cenário atual, os desafios enfrentados pelas forças de segurança e as estratégias adotadas para proteger as vítimas.
IN: Capitão Maciel, os dados recentes mostram um cenário preocupante de violência contra a mulher. Como o senhor avalia essa realidade no Estado de São Paulo?
Capitão Maciel: Infelizmente os números demonstram uma realidade muito grave. Janeiro deste ano foi o mês mais violento para as mulheres no Estado de São Paulo desde o início da série histórica, com 27 casos de feminicídio, praticamente uma morte por dia. Esse crime passou a ser contabilizado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública a partir de 2018, e já vinha apresentando crescimento nos últimos anos. Em 2025 foram registrados 270 feminicídios, sendo 37 apenas no mês de dezembro, o maior número já registrado em um único mês. Esses dados reforçam a necessidade de intensificar políticas públicas e ações policiais de enfrentamento à violência contra a mulher.
IN: Diante desse cenário, o que está sendo feito durante este mês de março?
Capitão Maciel: Março é um mês simbólico pela celebração do Dia Internacional da Mulher, e por isso as forças de segurança intensificam ações de prevenção e combate à violência doméstica. Isso inclui operações policiais direcionadas, reforço no atendimento às vítimas, campanhas de conscientização e orientação à população, além da ampliação do diálogo com instituições da rede de proteção. O objetivo é não apenas agir quando o crime ocorre, mas principalmente prevenir a escalada da violência. Temos também a divulgação do O aplicativo SP Mulher Segura.
IN: Capitão Maciel, o senhor pode explicar o que é o aplicativo SP Mulher Segura e qual foi o objetivo da sua criação?
Capitão Maciel: O aplicativo SP Mulher Segura é uma ferramenta digital voltada à proteção feminina, criada para oferecer suporte rápido e direto a mulheres em situação de risco. O objetivo principal é aproximar a vítima das forças de segurança, permitindo acionamento imediato e envio de localização em tempo real, fortalecendo a prevenção e a resposta a ocorrências.
IN: Quais as Funcionalidades Principais do Aplicativo?
Capitão Maciel: “Botão do Pânico” está função principal é permitir que mulheres com medida protetiva concedida pela Justiça acionem a Polícia Militar de forma rápida e discreta em casos de emergência. Temos a possibilidade de “Registro de B.O. Online” onde vítima faz o Boletim de Ocorrência diretamente pelo celular, sem precisar ir até uma delegacia, inclusive registrando descumprimentos de medida protetiva. E a “Rede de Proteção” onde através do aplicativo a mulher poderá ter acesso a informações sobre a rede de proteção, incluindo Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) próximas e contatos úteis.
IN: Como acessar o aplicativo SP Mulher?
Capitão Maciel: O aplicativo é gratuito e está disponível para sistemas iOS (Apple) e Android. Lembrando-se da Exclusividade, pois é uma ferramenta voltada especificamente para mulheres no estado de São Paulo. O app faz parte do movimento “São Paulo Por Todas” e atua em conjunto com a Polícia Militar para aprimorar o atendimento à vítima de violência.
IN: Especialistas apontam que a violência contra a mulher também tem raízes culturais e sociais. Como o senhor vê essa questão?
Capitão Maciel: Sem dúvida existe um componente cultural importante. Nós não podemos admitir nenhum tipo de retrocesso em relação às conquistas das mulheres. Esse é um embate permanente. Ao mesmo tempo em que vemos mulheres ocupando posições de liderança, comandando aviões, assumindo cargos estratégicos ou chegando à Presidência da República, ainda existem setores da sociedade que se incomodam com esse avanço. Alguns homens acabam reagindo com ressentimento ou sentimento de perda de poder, e isso pode se transformar em comportamentos violentos. Combater essa mentalidade também faz parte da solução.
IN: A legislação brasileira evoluiu nos últimos anos. A lei tem sido suficiente para proteger as vítimas?
Capitão Maciel: A legislação avançou muito. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) trouxe instrumentos fundamentais para combater a violência doméstica, principalmente com as medidas protetivas de urgência, que podem determinar o afastamento do agressor, proibição de contato com a vítima e outras restrições. Além disso, a tipificação do feminicídio pela Lei 13.104/2015 representou um marco importante no enfrentamento desse tipo de crime.
IN: Qual a mensagem o senhor deixaria para as mulheres que vivem em situação de violência?
Capitão Maciel: A principal mensagem é que elas não estão sozinhas. É fundamental procurar ajuda o quanto antes. A Polícia Militar, a Polícia Civil, o Judiciário e toda a rede de proteção estão preparados para acolher, orientar e proteger essas mulheres. Denunciar é um passo difícil, mas muitas vezes é o que pode salvar uma vida. A violência doméstica não é um problema privado, é uma questão de segurança pública e de direitos humanos.
IN: Denunciar pode salvar vidas?
Capitão Maciel: A denúncia é fundamental para interromper o ciclo da violência e permitir a atuação das autoridades. “A mulher precisa saber que não está sozinha. Procurar ajuda é essencial. A polícia e toda a rede de proteção estão preparadas para acolher, orientar e garantir segurança às vítimas”.
IN: Para finalizar, que mensagem o senhor deixa para as mulheres?
Capitão Maciel: Que utilizem a tecnologia como aliada. Baixar e configurar o aplicativo é um ato simples que pode fazer grande diferença em uma situação de risco. Segurança também são informação e prevenção. E para conhecer mais sobre essa e outras medidas do governo de são Paulo na proteção das mulheres e combate a violência doméstica, acesse: spportodas.sp.gov.br.
Em caso de emergência ligue “190”, Policia Militar do Estado de São Paulo rumo aos 200 anos, protegendo vidas, garantindo a lei e promovendo a paz.
Sobre o entrevistado: Capitão PM Vilmar Duarte Maciel é oficial da Polícia Militar, Mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, pelo Centro Autos Estudos da Policia Militar do Estado de São Paulo (CAES), possui vários artigos científicos na área de segurança pública e com experiência em gestão de segurança pública, atualmente é Coordenador Operacional (Interino) do 54º BPM/I em Itapeva/SP.

