Editorial — Os bastidores do poder (06/03/2026)

Na política, na vida pública e até nas relações pessoais, há um erro que se repete com frequência: celebrar vitórias antes de o jogo realmente terminar.

A sensação de triunfo pode ser sedutora. Quando algo parece resolvido, quando um resultado aparenta estar garantido ou quando um adversário parece enfraquecido, muitos se apressam em comemorar. Mas a história mostra que antecipar a vitória costuma ser um movimento perigoso.

Parte do problema está na forma como enxergamos o cenário. Identificar adversários costuma ser fácil. Eles se posicionam, criticam, discordam e, muitas vezes, deixam claro de que lado estão. Já os aliados… esses nem sempre são tão evidentes.

Nem todo sorriso representa apoio verdadeiro. Nem toda proximidade significa lealdade. Em muitos casos, aqueles que parecem estar ao lado são justamente os que aguardam o momento mais conveniente para mudar de posição.

Por isso, comemorar antes da hora pode ser mais do que imprudência, pode ser ingenuidade estratégica.

A prudência sempre recomendou cautela até o apito final. Em qualquer disputa, seja ela política, institucional ou pessoal, a verdadeira vitória não se anuncia com antecedência. Ela se confirma apenas quando não há mais espaço para reviravoltas.

A experiência mostra que a política não é um jogo de fotografia, mas de movimento. E quem entende esse tabuleiro sabe que prudência é uma virtude.

Até lá, o mais sensato é manter os pés no chão, observar com atenção e lembrar de uma lição antiga: nem sempre o maior risco vem dos adversários declarados, mas daqueles que ainda não revelaram de que lado realmente estão.

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