Editorial — Bota Casaco, Tira Casaco

Em Itapeva e em algumas cidades da nossa região, acompanhar a política tem parecido mais um jogo de troca de cadeiras do que a administração de um município. Prefeito (a) assume, prefeito (a) é afastado, decisão é derrubada, recurso é apresentado, vice assume, depois volta o titular. Enquanto isso, a população acompanha tudo sem entender, ao certo, quem está no comando da cidade.

A sensação é de insegurança política permanente. Em vez de discussões voltadas para saúde, geração de emprego, obras, educação e desenvolvimento, o debate público acaba dominado por disputas judiciais, embates entre Executivo e Legislativo e conflitos políticos que parecem não ter fim.

Nos bastidores, cada lado sustenta sua versão: há quem fale em fiscalização legítima, há quem veja perseguição política, há quem defenda decisões técnicas da Justiça e quem enxergue interesses eleitorais antecipados. Mas, para o cidadão comum, o resultado é um só: instabilidade.

A população acorda sem saber se o prefeito (a) continua no cargo, se o vice assumirá novamente ou se haverá mais uma reviravolta até o fim do dia. E, no meio dessa disputa, cresce o sentimento de que os verdadeiros problemas das cidades acabam ficando em segundo plano.

É claro que a fiscalização dos atos públicos é necessária. O Legislativo tem seu papel, assim como o Judiciário e os órgãos de controle. Transparência e responsabilidade são pilares fundamentais da democracia. Porém, quando a política passa a viver exclusivamente de confrontos, recursos, denúncias e disputas de poder, quem perde é a população.

Os municípios precisam de estabilidade administrativa para avançar. Projetos públicos não podem caminhar no ritmo das crises políticas. Secretarias não podem funcionar sob clima constante de incerteza. Servidores, empresários e moradores precisam saber quem governa e quais são as prioridades da gestão.

A democracia garante o direito ao contraditório, à investigação e à fiscalização. Mas também exige maturidade política. Porque, enquanto autoridades brigam pelo comando das prefeituras, o cidadão continua esperando respostas para problemas reais, muitos deles antigos e urgentes.

No fim das contas, a impressão que fica é justamente essa: bota casaco, tira casaco. Troca daqui, volta dali, decisão acolá, recurso aqui. E a população, mais uma vez, assiste tudo tentando entender quem realmente está conduzindo o destino da sua cidade.

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