Editorial — O que não pode virar rotina

Toda semana, as páginas de um jornal contam histórias de uma mesma cidade. Algumas inspiram orgulho. Outras provocam indignação. E há aquelas que servem de alerta.

Nos últimos dias, Itapeva mostrou que tem potencial para avançar. Atletas conquistaram medalhas, a cultura levou o público ao Teatro de Bolso, a Praça Anchieta voltou a receber grandes eventos e o comércio se prepara para uma das datas mais importantes do ano. São notícias que revelam uma cidade viva, capaz de produzir bons exemplos e fortalecer sua identidade.

Mas o outro lado da realidade também merece atenção.

O relatório final da CEI das Licitações pode não ter apontado fraude comprovada, mas revelou falhas de planejamento e gestão que jamais deveriam ser encaradas como normais. Quando uma comissão termina recomendando novas investigações, o assunto não se encerra. Pelo contrário, é justamente aí que começa a responsabilidade dos órgãos de controle e o dever da sociedade de acompanhar os próximos passos.

Na segurança pública, operações integradas continuam mostrando resultados positivos. Prisões, apreensões e o combate ao tráfico demonstram que o trabalho conjunto entre as forças policiais produz efeitos concretos. Ainda assim, a criminalidade muda de rosto. O golpe do falso advogado cresce em todo o Estado e reforça uma verdade incômoda: hoje, o criminoso nem sempre está na esquina; muitas vezes, está do outro lado da tela do celular.

E há crimes que ultrapassam qualquer estatística. A confirmação da condenação do homem que matou o próprio tio, um idoso submetido a constantes agressões dentro de casa, não representa apenas o fim de um processo judicial. É um lembrete de que a violência contra idosos continua acontecendo, muitas vezes silenciosamente, dentro das famílias.

Uma cidade não pode medir seu desenvolvimento apenas pelas inaugurações, eventos ou números positivos. O verdadeiro progresso também se revela na capacidade de corrigir erros, proteger os mais vulneráveis, combater a corrupção, enfrentar a violência e impedir que fatos graves sejam tratados com naturalidade.

Boas notícias merecem ser comemoradas. Maus exemplos precisam ser discutidos. E problemas recorrentes exigem soluções, não justificativas.

É esse equilíbrio que fortalece uma cidade. E é justamente esse olhar que nunca pode deixar de existir.

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